segunda-feira, janeiro 22, 2007

A dash of colour

Também, não é preciso exagerar...

E já que falamos de côr...

Para não dar a impressão, aos visitantes de longe, que o Convento de Mafra está ainda todo cinzentão como na minha infância , aqui fica uma imagem mais actual, com a minha vénia a José Romão.

Curar a tosse no Convento!



Aos oito anos e a residir em Mafra, tive tosse convulsa, maleita ainda muito comum naquela época entre a criançada. Felizmente depois apareceu a vacina, mas eu sou tão antiga que ela não chegou a tempo de evitar que eu passasse dias e dias a tossir constantemente e a cansar os ouvidos dos meus pais que se queixavam de já não me poder ouvir...
O médico recomendou um dia num local bastante elevado, conhecedor das vantagens terapeuticas do ar de altitude para aquele mal. Foi assim que fui, de farnel, respirar um dia inteiro nos terraços do Convento de Mafra, com a Simonetta, filha do então Conservador do Palácio, Escultor Ayres de Carvalho, também ela vítima do surto de tosse convulsa.
Não sei se ficámos totalmente livres da tosse, mas no meu 'Memorial' guardo a recordação de um dia muito bem passado, a ver Mafra lá do alto, a fazer jogos, leituras e piquenique, nos Terraços do Convento de Mafra.

Preferências...

Mesmo gostando destas lides que o computador proporciona e da caixa de correio electrónico repleta de sinais de sintonia e amizade vindos dos quatro cantos do mundo em tempo útil, continuo a preferir encontrar, na caixa de correio tradicional, cartas escritas pelo punho dos amigos, com a sua caligrafia única. São cada vez mais raras, mas talvez também por isso, cada dia as vejo como mais preciosas.

domingo, janeiro 21, 2007

Jardins do Monte Palace, Fundação Berardo













O Gabriel (Gaby) recebe-nos à entrada. Com um ar indiferente, claro. Como compete a um gato.
Abastado, ainda por cima...

Vale a pena ver mais, in loco, ou aqui:

http://www.montepalace.com/

Amigo

Recebi, de terras distantes, um presentinho muito amigo que trazia junto estas palavras lindas:

Amigo é o que nos procura,
simplesmente por sentir,
prazer, descanso, ventura.
em nos ver e nos ouvir.

Aconselha-nos se erramos,
sem humilhar-nos, porém,
e sempre que precisamos,
ao nosso encontro ele vem.

Tem muitos dos nossos gostos,
das nossas opiniões,
e se divergem os gostos,
concordam os corações.

Quando um dia, inesperada,
uma dor nos espezinha,
embora bem disfarçada,
num instante ele adivinha.

Com uma palavra breve ,
e sábia, realiza o encanto.
Eis que já sentimos leve,
o que nos pesava tanto.

Na hora difícil e indecisa,
em que descremos de nós,
só ele nos valoriza,
com sua calma e sua voz.

Mais que irmão, conceito antigo,
instrui-nos com perfeição.
Se nem sempre o irmão é amigo,
todo amigo é sempre irmão.

Mas não é qualquer no mundo
que possui o raro dom.
Para ser amigo profundo,
é preciso antes, ser bom.

Só quem tem amigo é que sabe disso.

Eu sei, se sei!!



sábado, janeiro 20, 2007

Cartões de crédito

Amigos, não façam como eu! No Natal utilizei vezes demais o meu cartão de crédito e agora, uma semana antes de receber o meu ordenadinho de Janeiro, estou reduzida a um total de dois dígitos no saldo da conta bancária!! E nem adianta tentar consolar-me dizendo que quase todo o país fez o mesmo, porque eu tenho obrigação de ter mais juízo do que quase todo o país!...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Dia da Lídia


I
Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.

II
Escuta, Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis,
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que nos tornou atentos.

III
Ausentes são os deuses mas presidem.
Nós habitamos nessa
Transparência ambígua.

Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente exacto.

O seu olhar ensina o nosso olhar:
Nossa atenção ao mundo
É o culto que pedem
(...)

Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética
DUAL
III-Homenagem a Ricardo Reis
Ed.Caminho

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Para quem recebeu visita da Fada dos Dentes!


See if you can help the Tooth Fairy
find the hidden words below. Good luck!

1. Baby

2. Fairy
3. Gap
4. Grow

5. Lose

6. Loss
7. Lost

8. Milk



9. Pillow

10. Pull

11. Sleep
12. Tooth


Pensamento da semana

Numa semana em que muito se falou de sapos, animaizinhos muito simpáticos apesar da sua aparência. Mas quem é que está a ligar só à aparência?

Nem sempre gostamos das respostas que a vida nos dá.
Às vezes, necessitamos mudar as perguntas


OS SAPOS

Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha?

Pense...

A resposta certa é: Restam três sapos.
Porque o sapo apenas decidiu pular.
Ele não o fez .

Nós não somos como o sapo, muitas vezes?

Decidimos fazer isso, fazer aquilo, mas no final acabamos não fazendo nada?
Na vida, temos que tomar muitas decisões.
Algumas fáceis; algumas difíceis.
A maior parte dos erros que cometemos não se deve a decisões erradas.
A maior parte dos erros deve-se a indecisões.
Temos que viver com as consequências das nossas decisões.
E isto é arriscar.
Tudo é arriscar.
Rir é correr o risco de parecer um tolo.
Chorar, é correr o risco de parecer sentimental.

Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor os sentimentos é arriscar expor-se a si mesmo.
Expor as suas ideias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.

Amar é correr o risco de não ser amado.

Viver é correr o risco de morrer.

Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de falhar.

Os riscos precisam de ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada.

A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada.
Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas não aprende, não sente, não muda, não cresce ou vive. Presa à sua servidão, ela é uma escrava que teme a liberdade.

Apenas quem arrisca é livre.

O pessimista, queixa-se dos ventos.
O optimista, espera que mudem.
O realista, ajusta as velas.

autor desconhecido

O teste da J@de

Está aí! Eu fiz com sinceridade e deu...isto. Vocês dirão se deu certo :)

O que me irrita?

A J@de lançou-me o desafio de listar o que mais me irrita. Ela acha que eu sou boazinha, não sei quê, não sei que mais, que nada me irrita... e ela até tem uma certa razão. Às vezes não compensa ficarmos irritados, não adianta nada, sobe-nos a tensão e não alcançamos bons resultados por essa via. Mas há situações em que, mesmo os que têm maior auto-controle, perdem a calma e ficam irritados. Procurei fazer a listinha para a J@de mas duvido que ela esteja muito completa. Vamos combinar assim: a lista fica em aberto e eu vou actualizando, de cada vez que me deparar com alguma situação irritante. Está bem assim J@de?
Aqui vai:
1. Irrita-me a valer ter de 'chupar' o fumo do vizinho do lado, sobretudo num restaurante. Não fumo e não sou fundamentalista em relação ao fumo, mas não suporto que fumem para cima de mim e me privem do meu direito de respirar uma atmosfera livre de fumo. É certo que agora já há zonas reservadas a fumadores e até restaurantes 'smoke free', que têm a minha preferência, mas ainda há dias estava com um grupo de amigas a jantar quando duas delas, ao meu lado, encheram um cinzeiro de 'beatas' e, de cada vez que se voltavam para conversar comigo, lançavam uma baforada de fumo. Isso irrita-me terrivelmente! Não disse nada para não as privar do seu direito a esse prazer (?!) que tanto prezam, mas fiquei...irritada, interiormente. (viu J@de, como sou controlada? eheh)
2. Outra coisa que me irrita, viu J@de, embora em você eu releve e até ache engraçado porque sai naturalmente e faz parte do seu estilo é ... palavrão!
Não suporto palavrão a todo o momento e em cada frase, como fazem alguns. Em casa sou capaz de dizer uma m..... de vez em quando (nem consigo escrever, viu J@dinha?) mas mais do que isso não digo nem gosto que alguém diga perto de mim. Então esses palavrões que agora são tão abundantemente usados, os Cs e os Fs, ihh, esses então não gosto nada. Fico mesmo irritada quando oiço! acho até que nunca disse nem verbalizei essas palavras. Também nunca me deixo chegar ao ponto de irritação em que seja preciso dizê-las para aliviar a tensão...
3. Fico irritada, comigo mesma, quando quero lembrar-me de alguma coisa e não consigo, por mais que me esforce. A minha memória é boa, por enquanto, mas talvez por viver rodeada de casos de falhas de memória, patológicos esses, fico fora de mim, comigo, se não consigo fazer uso dessa capacidade, num momento em que ela me faça muita falta.
4. Irrito-me com a arrogância e também com a intolerância. Em especial não suporto sentimentos racistas e causa-me uma tremenda irritação ouvir, socialmente, como já me tem acontecido, anedotas e piadas de cunho racista. Acho insuportável e não consigo, neste caso, controlar a minha irritação. Para mim, todos os seres humanos são dignos do mesmo respeito e valor. Só lhes noto diferenças nas atitudes.
5. Tenho sempre a sensação de que o tempo me foje e que preciso, urgentemente, do tempo que me está a escapar. Fico irritada, outra vez apenas comigo mesma, quando desperdiço tempo ou o utilizo mal. Também me irritam as pessoas que me fazem perder tempo com conversas ou telefonemas inúteis. Aliás, não gosto muito do telefone e fico irritada quando me obrigam a falar no irritante aparelhinho durante muito tempo.

Ihh, já cá estão cinco. Chega? Quer mais J@de? Pois espere que eu vou acrescentando à lista, como prometido.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Rosas para uma rosa

http://free-cards.be/

Esfingezinha faz hoje anos e recebeu, de certeza, rosas.
Porquê?
Ora, porque ela própria é
uma
rosa!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Uma vida na escola

foto tirada pelo meu pai, há 50 anos

Nasci numa escola.

Tudo indica que morrerei também numa escola, a manter-se a política de aumento progressivo da idade da reforma. Uma escola seja, então, a minha sepultura! Mas isto é outro assunto e daria (dará!) outro post.
Voltemos ao início. Nasci numa escola, literalmente. Os meus pais viviam no colégio onde leccionavam e eram co-proprietários, o Colégio Garcia de Orta* na Rua Sousa Martins, em Lisboa, bem perto do Liceu Camões e da Maternidade Alfredo da Costa. A circunstância, algo inusitada, de ter nascido em casa e não na maternidade, já foi referida noutro post. Adiante.

Começei a "frequentar" aulas a partir dos dois anos de idade, levada para as salas, ora pelos meus pais, ora pelos meus padrinhos de registo, ambos também professores e sócios do colégio.
Ficava, muito sossegada, a escrevinhar numa folha ou no quadro preto. Imagino que nem distraía os alunos que, nesse tempo, não ousariam distrair-se... Lembro essa fase da vida com grande nitidez.
Quando fui para a escola como aluna, matriculada na 1ª classe, sabia mais do que me tinham ensinado... Aprendera a ler, sózinha, lá pelos cantos onde me sentava com os livros, os primeiros ainda de pano, só depois os de papel, juntando as letras e as sílabas, formando depois palavras e frases, como se isso fosse tão fácil e natural como andar ou falar.

A minha primeira professora primária não teve, portanto, de me ensinar "as primeiras letras", mas guardei sempre dela uma recordação doce e grata. Ensinou-me muitas outras coisas.
A Senhora Dona Maria Amélia Dias de Deus era uma viúva ainda jovem, sempre vestida de negro, de semblante sereno e triste.
Ficara só com dois filhos, dois rapazes que eram o seu enlevo e a sua preocupação. Durante anos a minha mãe correspondeu-se com ela e foi sabendo do percurso académico, brilhante, dos dois. Um médico, outro engenheiro, professor universitário este.
Ainda gostava, um dia, de os encontrar e recordar, com eles, a sua mãe, minha primeira professora.

Ando a ficar velha e melosa, disso não resta dúvida...



*NOTÁVEL MÉDICO e biólogo quinhentista Garcia de Orta (1499-1568), filho de pais espanhóis estabelecidos em Castelo de Vide, realizou os estudos em Espanha, tendo exercido medicina em Portugal.

Verdadeiro "homem do Renascimento", foi um dos percursores do experimentalismo apoiado no primado da razão, concepção que pôs em prática durante uma vida inteira dedicada ao estudo "in loco" dos mais variados tipos de flora.

Embarcou para a Índia em 1534, segundo alguns historiadores por receio da Inquisição. Fixou-se em Goa como físico de Martim Afonso de Sousa, capitão-mor do Mar das Índias. Aí continuou a sua carreira de médico, contactando e confrontando conhecimentos com especialistas locais, árabes hindus e persas. Viajou por todo o país, estudando e coleccionando produtos naturais. Tal recolha deu-lhe material suficiente para constituir uma biblioteca, um museu e um jardim onde criava e aclimatava espécies raras de plantas.
Apesar de uma vida rica em estudos e experimentações, apenas publicou um livro. "Colóquios dos simples e drogas he cousas medicinais da Índia e assi dalguas frutas achadas nella onde se tratam alguas cousas boas pera saber" foi o comprido título da obra escrita em português e dada à estampa em Goa, no ano de 1563. Tratou-se do primeiro registo científico de plantas do Oriente feito por ocidentais. O seu extremo interesse científico levou a que passados apenas quatro anos já tivesse sido traduzido e impresso na Europa. Utilizado por cientistas das mais variadas áreas, trouxe informações fundamentais para a medicina, botânica, física, química, farmacologia e biologia.

Além de se tratar de uma autêntica enciclopédia medico-botânica, contribuiu igualmente para o conhecimento da etnologia, etnografia e até geografia do Oriente. Dada a riqueza e diversidade informativa, ainda hoje o "Colóquios" é popular entre os botânicos, que o continuam a utilizar como obra bibliográfica essencial.

Instituto Camões
M.C.L.



sábado, janeiro 13, 2007

Vivam eles... e a família também!!!


Lá iremos todos, felizes e contentes, atrás deles!

Complemento para post da filha mais nova.

THE CHAPEL OF LOVE (Dixie Cups)

Spring is here
The sky is blue
(whoa-whoa-whoa)
Birds all sing
As if they knew
Today's the day
We'll say I do
And we'll never be lonely anymore
Because we're

Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Gee, I really love you and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel of love

Bells will ring
The sun will shine
(whoa-whoa-whoa)
I'll be his and
He'll be mine
We'll love until
The end of time
And we'll never be lonely anymore
Because we're

Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Gee, I really love you and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel of love


Nosso patinho lindo foi ao teatro

Netinho foi ao teatro, ver "O Patinho Feio", a 104ª produção do TEF (Teatro Experimental do Funchal)
Convido-vos a uma espreitadela ao trabalho, de grande persistência e qualidade, levado a cabo por esta companhia, numa área em que a luta é sempre bem maior do que os resultados.

http://www.tef.pt/

Com os seus dois anos e meio, ele já apreciou imenso a experiência mágica da ida ao teatro, as luzes que se apagam na sala, o pano que corre e descobre o cenário, as personagens variadas e a falar de maneiras diferentes, o sentido do texto. Percebeu até que ninguém é patinho feio. Pode ser que pareça, mas cada pessoa é, afinal, um cisne. Basta esperar e olhar bem.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

A senho' Maria


http://aoit.jatc-sandy.org/file.php/1/DigitalWizardContest/

A imagem que ilustra este texto tem uma semelhança extraordinária com a minha Senho'Maria. Só que a minha é mais bonita ainda!
A Senho'Maria apareceu-me ao caminho, perto de casa, num dia chuvoso e grisalho. Um troquinho para o leite, menina? Uns olhinhos azuis vibrantes, um sorriso doce, iluminando aquele dia tristonho. Para o leite?! perguntei intrigada. Sim, menina, é qu'eu sou diabética e o senhor doutor manda-me tomar muito leite. E também me manda andar bastante a pé, sabe a menina? E por isso eu desço do Bom Sucesso e volto a subir, todos os dias. A pé. Também, sabe, eu quero estar aqui na esquina a ver passar o me' filho, qu'é chófer e quando ele passa por' qui, eu posso ver ele, senão não vejo nunca, qu'ele não m' aparece. Uma mãe sente saudades, a menina é mãe? então sabe como é. Uff, eu sei. Quanta coisa em tão pouco tempo!A senhora estava mesmo a precisar de uns ouvidos! A senhora como se chama? inquiri. Eu sou a Senho'Maria, e a menina?
Ficámos amigas a partir daquele dia. Indiquei-lhe a minha casa e pedi-lhe que passasse, sempre que lhe desse geito, para receber o 'troquinho para o leite'. Assim fez, durante anos. Tocava a campainha, sempre pela mesma hora, todas as semanas, e respondia ao intercomunicador: Sou eu, a Senho'Maria! A seguir ouvia-lhe a gargalhada sonora, até estridente, com que pontuava quase tudo o que dizia. Se nos encontravamos na rua, no local onde esperava ver passar o filho, sentavamo-nos um pouco num dos bancos do Jardim do Campo da Barca e esperávamos juntas. Nunca vi que ele passasse. Mas aquela mãe não perdia a esperança de o ver passar um dia. O percurso do filho teria mudado? Ela esperava, paciente. Falavamos da diabetes, eu para saber se estava a ir ao centro de saúde controlar, ela garantindo que sim. Abraçava-a à despedida, dois beijinhos, uma festa no rosto. Mais um sorriso dela, mais uma gargalhada. Uma pequena alegria!
Um dia disse-me que faria 90 anos em Maio. Nessa altura o troquinho avolumou-se e os meus beijinhos e abraço de sempre foram mais efusivos. Senh'Maria, que bonita idade! E com esses olhinhos azuis tão espertos! Ela pestanejava, brejeira, coquete, sabendo o valor daqueles olhos. E deixe-me ouvir a sua gargalhada que ainda hoje não ouvi! pedia eu. E ela, generosa, soltava a gargalhada, para atender ao meu pedido.
Todas as semanas, a partir daqueles 90 anos que completou, eu começei a temer que um dia a Senho'Maria não aparecesse mais.
E agora?
Há meses que não vem. Nem cheguei a saber onde vivia, ao certo, para poder procurá-la.
Hoje tenho vontade de ir para aquela esquina do jardim, onde ela esperava o filho. Esperar por ela.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bom recordar, em cada início de ano!

Thiago de Mello

Os Estatutos do Homem (Acto Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.

agora vale a vida,

e de mãos dadas,

marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,

inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem

não precisará nunca mais

duvidar do homem.

Que o homem confiará no homem

como a palmeira confia no vento,

como o vento confia no ar,

como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem

como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens

estão livres do jugo da mentira.

Nunca mais será preciso usar

a couraça do silêncio

nem a armadura de palavras.

O homem se sentará à mesa

com seu olhar limpo

porque a verdade passará a ser servida

antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,

a prática sonhada pelo profeta Isaías,

e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido

o reinado permanente da justiça e da claridade,

e a alegria será uma bandeira generosa

para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor

sempre foi e será sempre

não poder dar-se amor a quem se ama

e saber que é a água

que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia

tenha no homem o sinal de seu suor.

Mas que sobretudo tenha

sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,

qualquer hora da vida,

uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,

que o homem é um animal que ama

e que por isso é belo,

muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado

nem proibido,

tudo será permitido,

inclusive brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:

amar sem amor.

Pensamento do dia










You don't stop laughing because you grow old, you grow old because you stop laughing!




quarta-feira, janeiro 10, 2007

Definição de calorias


Já devem ter ouvido esta, mas é engraçada demais para resistir a partilhar de novo. Chegou via e-mail.

Calorias
são uns bichos pequeninos que se metem dentro dos roupeiros
e de noite encolhem a roupa das pessoas


Das mais originais

Andava eu a 'limpar' as mensagens de Natal que recebi por e-mail quando reli esta que resolvi reproduzir aqui , porque a acho muito interessante, diferente de todas as outras.

Um Bom Natal! Eu parto amanhã para a Idade Média. Se o Menino aguentou Dezembro nas palhinhas da manjedoura, com aquela roupinha que a gente vê (é verdade que era Jerusalém), se o Saramago dormiu também no curral, com pouca palha, quando da venda dos porcos em Santarém, quem sou eu para me queixar... Voltar às raízes tem sempre o encanto da voz da mãe....

A autora é uma colega de profissão, amiga já dos tempos (distantes!) da Faculdade, que não se importará de a ver divulgada. Com o talento que mostra, bem podia, ela sim, criar um blogue!


terça-feira, janeiro 09, 2007

Delicadeza


É uma das qualidades que mais aprecio.

Aprecio a delicadeza
dos sentimentos
das palavras
dos gestos
do toque
do olhar
do tom.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Quem anda à chuva...


A minha aluna T. andou à chuva com o namorado, sem guarda-chuva. Foram pais, ou melhor, ela foi mãe. Agora está no 12º ano do ensino recorrente e farta-se de faltar às aulas porque, ou está a amamentar, ou o bébé fica doente. Ando preocupada com ela porque só lhe faltam dois módulos de Alemão para chegar ao fim. Faço tudo para que não desista.
Ai, ai... quem me dera que ela tivesse ido a tempo ao Centro de Saúde buscar guarda-chuva, que ainda por cima é de graça, em vez de atrapalhar a vida e o rendimento escolar, comprometendo as hipóteses, já escassas, de emprego. Sim, porque quando ficou grávida, já não lhe renovaram o contrato na loja onde trabalhava.
Vida complicada.

Size doesn't count





Devo concluir que o tamanho não conta! Às vezes esforço-me por escrever textos elaborados e relativamente longos, se calhar fastidiosos, para não dizer pior... e os amigos comentam...ma non troppo.


Agora resolvi seguir o estilo do amigo e mentor SimãoCireneu, alternando pequenos textos estimulantes, e não é que os amigos comentam
troppo piu?

Late bloomer

É bem verdade que a idade é um estado de espírito. O meu tio A., aquele que casou aos 66 anos pela primeira e única vez com uma jovem 43 anos mais nova e acertou em cheio, como já referi num post anterior, faz hoje 86 anos. Agora descobriu os prazeres da fotografia e anda a fazer-me concorrência nessa área...só que não tem PC e guarda as fotos em disco para ver na tv. Mas ainda acredito que, um dia destes, se entusiasma e acaba...blogando, como eu. Sei lá, se isso acontecer, já não serei eu a mais velha da blogosfera!
Família de maluquinhos!

A propósito de David Mourão-Ferreira

Hoje estava a contar a uma amiga, a propósito do autor do poema que abaixo transcrevi, que ele era um homem cheio de charme, para além de ser um excelente poeta e de ter, entre outras qualidades, uma linda voz.
Eu sou muito sensível a uma voz bonita, masculina. Adoro ouvir Manuel Alegre e o actor Rui de Carvalho. Bem, e a voz masculina cá de casa também é bastante agradável...

Rumo a leste!


Amanhã rumo a leste,
para passar o dia.
Quem não conhece a nossa ilha,
só tem que ver no mapa:
Garajau,
Aeroporto,
Machico,
Caniçal,
Ponta se S. Lourenço.
Quem quiser, venha também!
(em pensamento...)

Diz-me o que tens calçado...


Uma amiga minha diz que repara nos sapatos de um homem, para avaliar se ele é gentil. Se estiverem limpos e bem cuidados, é certo que será...


A Secreta Viagem

Foto: minha

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...

Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? - Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!

Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
- Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!

David Mourão-Ferreira
"A Arte de Amar" (1948-1962)

Segunda resolução de ano novo


Ah! Esta eu vou cumprir.
Farta de pintar cabelo
e fingir de loira,
vou deixar o dito
ficar todo
BRANCO!
Vocês vão ver.

Home

Gosto muito de viajar,
gosto de sair
e andar na rua.

Mas onde gosto mais de estar é
em casa.

Primeira resolução de ano novo


Comer menos, para não ficar como esta! Quem me conhece sabe que sou 'bom garfo'. Eu, que me conheço, sei que petiscar é um dos meus (poucos) prazeres de eleição. Sou capaz de não cumprir esta promessa, mas estou, pelo menos, com boas intenções, neste novo ano. Darei conta dos resultados mais tarde.

Agradar


Toda a vida tenho procurado agradar a todos , embora há muito tenha concluido que isso não é possível pois, nessa tentativa inútil de agradar a todos, não agrado a ninguém, nem mesmo a mim própria.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Piratas ou porquinhos

O netinho adora história de piratas. Essas são lidas. Agora contar, eu conto a história dos 3 porquinhos e do lobo mau. Talvez ele se lembre um dia que vale a pena construir uma casa sólida, mesmo que demore e fique menos tempo para brincar.

Gente geleia


trekearth.com/photos/12065/img_5948.jpg

Não aprecio gente geleia. Transparente? Atraente? Sim, mas só na aparência. Na verdade gente fugidia, movediça, ora está ora se vai, e não diz para onde vai de verdade. Desliza. Escorrega. Confunde-se com o ambiente em volta. Finge passar despercebida. Mas está ali, a ver se a gente tropeça nela e se assusta com a falta de consistência da matéria de que é feita.

Antes só (por vezes) do que (mesmo) bem acompanhada


foto do Frederico Homem de Gouveia
http://olhares.com/vasco_da_gama_2/foto891536.html

Eu prezo boa companhia, dos amigos, da família... mas, na verdade, também gosto de estar sózinha, pois acho que é nesses momentos que me retempero, me reequilibro e me renovo.
Para depois apreciar, mais ainda, os momentos de convívio e de partilha.


Pela Vida!

7 semanas

10 semanas O embrião tem cerca de 2,5 centímetros de comprimento. Notam-se já traços faciais, membros, mãos e pés, dedos das mãos e dos pés. Muitos dos orgãos internos começam a funcionar.


Aproxima-se a data do referendo sobre a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) até às 10 semanas .
Sobre o tema, complexo e muito debatido, duas vivências pessoais quero partilhar, em vez de reflectir sobre a questão do ponto de vista religioso, ético, jurídico ou político.

A primeira:Sou uma das sócias fundadoras do Centro da Mãe, associação particular de solidariedade social surgida da iniciativa de uma Mulher, Rosemary Blandy, a quem logo outras se juntaram, com o objectivo de ajudar jovens mães em risco a ter e criar os seus filhos em vez de considerar o aborto uma opção. Desde a sua criação, há talvez já uns oito anos, desenvolve esta instituição um trabalho valioso, ajudando dezenas de mulheres a estruturar a sua vida, a aprender a cuidar dos filhos como eles precisam, a completar escolaridade, a reflectir sobre uma sexualidade responsável, a fazer formação profissional, a poder enfim, encarar o futuro com esperança,com bases mais sólidas e com autonomia.
Porque me identifico plenamente com os propósitos desta Associação que é um verdadeiro Movimento pela Vida, tenho mantido uma colaboração voluntária, na medida da minha disponibilidade.

A segunda: Vou ter o segundo neto. Desde o momento em que ele foi uma certeza, com umas escassas seis semanas, eu amo essa criança, não apenas por ter alguns dos meus genes e vir alegrar ainda mais a nossa vida, mas por ser UMA VIDA, plena, promissora, detentora de direitos fundamentais.

Reconheço o drama de muitas situações vividas por muitas mulheres, mas acredito firmemente que a alternativa é um planeamento familiar efectivo e um apoio social e económico aos pais para que possam criar os seus filhos em condições dignas. Acredito que devem ser criadas mais estruturas de apoio a mães solteiras como aquela em que participo e que o Estado deve assumir claramente uma valorização da família.


segunda-feira, janeiro 01, 2007

Fim d'ano da Madeira entra para o Guinness!!!


Acabo de ouvir a boa notícia! O espectáculo de fogo-de-artifício que ontem, ao soar da meia-noite e durante oito minutos, encantou mais de 60 mil espectadores no Funchal, foi considerado, pelos juízes do Guinness World Records vindos especialmente para o efeito, como o maior e o melhor do mundo!!!
Eu assisti pela 33ª vez consecutiva! Senhores juízes, não constituirá isso um outro recorde, tendo em conta que sou uma simples continental, não nada e criada na ilha da Madeira?
A verdade é que o espectáculo foi fantástico, de luz, cor, som... os navios a apitar durante o primeiro minuto, uma apoteose final absolutamente impressionante que mais parecia um bombardeamento! Eu sempre vira a partir de um ponto alto do Funchal mas ontem, pela primeira vez, vi de um nível próximo do mar, com o anfiteatro todo na frente ... Extraordinário! Indescritível!
Recomendo a todos que, pelo menos uma vez na vida, se deixem arrebatar por este espectáculo.

Feliz Ano Novo


A todos
os meus Amigos,

reais ou virtuais,
virtuais e reais,
d'aquém e d'além mar,
aqui da Madeira
ou aqui na Madeira,

no restante território nacional,
em Portugal
de lés a lés,

ou pelos quatro cantos
do mundo,

aos que estão perto,
e aos de longe
mas perto
do coração.
A todos desejo
o melhor

em
2007.