Tentar "descobrir a música que se toca dentro do nosso corpo, inaudivelmente, apesar dos ruídos da estática que enchem o nosso espaço". Rubem Alves
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Curar a tosse no Convento!


Não sei se ficámos totalmente livres da tosse, mas no meu 'Memorial' guardo a recordação de um dia muito bem passado, a ver Mafra lá do alto, a fazer jogos, leituras e piquenique, nos Terraços do Convento de Mafra.
Preferências...
Mesmo gostando destas lides que o computador proporciona e da caixa de correio electrónico repleta de sinais de sintonia e amizade vindos dos quatro cantos do mundo em tempo útil, continuo a preferir encontrar, na caixa de correio tradicional, cartas escritas pelo punho dos amigos, com a sua caligrafia única. São cada vez mais raras, mas talvez também por isso, cada dia as vejo como mais preciosas.domingo, janeiro 21, 2007
Jardins do Monte Palace, Fundação Berardo











O Gabriel (Gaby) recebe-nos à entrada. Com um ar indiferente, claro. Como compete a um gato.
Abastado, ainda por cima...
http://www.montepalace.com/
Amigo
Amigo é o que nos procura,
simplesmente por sentir,
prazer, descanso, ventura.
em nos ver e nos ouvir.
Aconselha-nos se erramos,
sem humilhar-nos, porém,
e sempre que precisamos,
ao nosso encontro ele vem.
Tem muitos dos nossos gostos,
das nossas opiniões,
e se divergem os gostos,
concordam os corações.
Quando um dia, inesperada,
uma dor nos espezinha,
embora bem disfarçada,
num instante ele adivinha.
Com uma palavra breve ,
e sábia, realiza o encanto.
Eis que já sentimos leve,
o que nos pesava tanto.
Na hora difícil e indecisa,
em que descremos de nós,
só ele nos valoriza,
com sua calma e sua voz.
Mais que irmão, conceito antigo,
instrui-nos com perfeição.
Se nem sempre o irmão é amigo,
todo amigo é sempre irmão.
Mas não é qualquer no mundo
que possui o raro dom.
Para ser amigo profundo,
é preciso antes, ser bom.
Só quem tem amigo é que sabe disso.
Eu sei, se sei!!
sábado, janeiro 20, 2007
Cartões de crédito
Amigos, não façam como eu! No Natal utilizei vezes demais o meu cartão de crédito e agora, uma semana antes de receber o meu ordenadinho de Janeiro, estou reduzida a um total de dois dígitos no saldo da conta bancária!! E nem adianta tentar consolar-me dizendo que quase todo o país fez o mesmo, porque eu tenho obrigação de ter mais juízo do que quase todo o país!...sexta-feira, janeiro 19, 2007
Dia da Lídia

Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.
II
Escuta, Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis,
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que nos tornou atentos.
III
Ausentes são os deuses mas presidem.
Nós habitamos nessa
Transparência ambígua.
Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente exacto.
O seu olhar ensina o nosso olhar:
Nossa atenção ao mundo
É o culto que pedem
(...)
Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética
DUAL
III-Homenagem a Ricardo Reis
Ed.Caminho
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Para quem recebeu visita da Fada dos Dentes!
1. Baby 2. Fairy 3. Gap 4. Grow | 5. Lose 6. Loss 7. Lost 8. Milk | 9. Pillow 10. Pull 11. Sleep 12. Tooth |
Pensamento da semana
Nem sempre gostamos das respostas que a vida nos dá.
Às vezes, necessitamos mudar as perguntas
OS SAPOS
Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha?
Pense...
A resposta certa é: Restam três sapos.
Porque o sapo apenas decidiu pular.
Ele não o fez .
Nós não somos como o sapo, muitas vezes?
Decidimos fazer isso, fazer aquilo, mas no final acabamos não fazendo nada?
Na vida, temos que tomar muitas decisões.
Algumas fáceis; algumas difíceis.
A maior parte dos erros que cometemos não se deve a decisões erradas.
A maior parte dos erros deve-se a indecisões.
Temos que viver com as consequências das nossas decisões.
E isto é arriscar.
Tudo é arriscar.
Rir é correr o risco de parecer um tolo.
Chorar, é correr o risco de parecer sentimental.
Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor os sentimentos é arriscar expor-se a si mesmo.
Expor as suas ideias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.
Amar é correr o risco de não ser amado.
Viver é correr o risco de morrer.
Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de falhar.
Os riscos precisam de ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada.
A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada.
Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas não aprende, não sente, não muda, não cresce ou vive. Presa à sua servidão, ela é uma escrava que teme a liberdade.
Apenas quem arrisca é livre.
O pessimista, queixa-se dos ventos.
O optimista, espera que mudem.
O realista, ajusta as velas.
autor desconhecido
O que me irrita?
A J@de lançou-me o desafio de listar o que mais me irrita. Ela acha que eu sou boazinha, não sei quê, não sei que mais, que nada me irrita... e ela até tem uma certa razão. Às vezes não compensa ficarmos irritados, não adianta nada, sobe-nos a tensão e não alcançamos bons resultados por essa via. Mas há situações em que, mesmo os que têm maior auto-controle, perdem a calma e ficam irritados. Procurei fazer a listinha para a J@de mas duvido que ela esteja muito completa. Vamos combinar assim: a lista fica em aberto e eu vou actualizando, de cada vez que me deparar com alguma situação irritante. Está bem assim J@de?Aqui vai:
1. Irrita-me a valer ter de 'chupar' o fumo do vizinho do lado, sobretudo num restaurante. Não fumo e não sou fundamentalista em relação ao fumo, mas não suporto que fumem para cima de mim e me privem do meu direito de respirar uma atmosfera livre de fumo. É certo que agora já há zonas reservadas a fumadores e até restaurantes 'smoke free', que têm a minha preferência, mas ainda há dias estava com um grupo de amigas a jantar quando duas delas, ao meu lado, encheram um cinzeiro de 'beatas' e, de cada vez que se voltavam para conversar comigo, lançavam uma baforada de fumo. Isso irrita-me terrivelmente! Não disse nada para não as privar do seu direito a esse prazer (?!) que tanto prezam, mas fiquei...irritada, interiormente. (viu J@de, como sou controlada? eheh)
2. Outra coisa que me irrita, viu J@de, embora em você eu releve e até ache engraçado porque sai naturalmente e faz parte do seu estilo é ... palavrão!
Não suporto palavrão a todo o momento e em cada frase, como fazem alguns. Em casa sou capaz de dizer uma m..... de vez em quando (nem consigo escrever, viu J@dinha?) mas mais do que isso não digo nem gosto que alguém diga perto de mim. Então esses palavrões que agora são tão abundantemente usados, os Cs e os Fs, ihh, esses então não gosto nada. Fico mesmo irritada quando oiço! acho até que nunca disse nem verbalizei essas palavras. Também nunca me deixo chegar ao ponto de irritação em que seja preciso dizê-las para aliviar a tensão...
3. Fico irritada, comigo mesma, quando quero lembrar-me de alguma coisa e não consigo, por mais que me esforce. A minha memória é boa, por enquanto, mas talvez por viver rodeada de casos de falhas de memória, patológicos esses, fico fora de mim, comigo, se não consigo fazer uso dessa capacidade, num momento em que ela me faça muita falta.
4. Irrito-me com a arrogância e também com a intolerância. Em especial não suporto sentimentos racistas e causa-me uma tremenda irritação ouvir, socialmente, como já me tem acontecido, anedotas e piadas de cunho racista. Acho insuportável e não consigo, neste caso, controlar a minha irritação. Para mim, todos os seres humanos são dignos do mesmo respeito e valor. Só lhes noto diferenças nas atitudes.
5. Tenho sempre a sensação de que o tempo me foje e que preciso, urgentemente, do tempo que me está a escapar. Fico irritada, outra vez apenas comigo mesma, quando desperdiço tempo ou o utilizo mal. Também me irritam as pessoas que me fazem perder tempo com conversas ou telefonemas inúteis. Aliás, não gosto muito do telefone e fico irritada quando me obrigam a falar no irritante aparelhinho durante muito tempo.
Ihh, já cá estão cinco. Chega? Quer mais J@de? Pois espere que eu vou acrescentando à lista, como prometido.
terça-feira, janeiro 16, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Uma vida na escola
Nasci numa escola.
Tudo indica que morrerei também numa escola, a manter-se a política de aumento progressivo da idade da reforma. Uma escola seja, então, a minha sepultura! Mas isto é outro assunto e daria (dará!) outro post.
Voltemos ao início. Nasci numa escola, literalmente. Os meus pais viviam no colégio onde leccionavam e eram co-proprietários, o Colégio Garcia de Orta* na Rua Sousa Martins, em Lisboa, bem perto do Liceu Camões e da Maternidade Alfredo da Costa. A circunstância, algo inusitada, de ter nascido em casa e não na maternidade, já foi referida noutro post. Adiante.
Começei a "frequentar" aulas a partir dos dois anos de idade, levada para as salas, ora pelos meus pais, ora pelos meus padrinhos de registo, ambos também professores e sócios do colégio.
Ficava, muito sossegada, a escrevinhar numa folha ou no quadro preto. Imagino que nem distraía os alunos que, nesse tempo, não ousariam distrair-se... Lembro essa fase da vida com grande nitidez.
Quando fui para a escola como aluna, matriculada na 1ª classe, sabia mais do que me tinham ensinado... Aprendera a ler, sózinha, lá pelos cantos onde me sentava com os livros, os primeiros ainda de pano, só depois os de papel, juntando as letras e as sílabas, formando depois palavras e frases, como se isso fosse tão fácil e natural como andar ou falar.
A minha primeira professora primária não teve, portanto, de me ensinar "as primeiras letras", mas guardei sempre dela uma recordação doce e grata. Ensinou-me muitas outras coisas.
A Senhora Dona Maria Amélia Dias de Deus era uma viúva ainda jovem, sempre vestida de negro, de semblante sereno e triste.
Ficara só com dois filhos, dois rapazes que eram o seu enlevo e a sua preocupação. Durante anos a minha mãe correspondeu-se com ela e foi sabendo do percurso académico, brilhante, dos dois. Um médico, outro engenheiro, professor universitário este.
Ainda gostava, um dia, de os encontrar e recordar, com eles, a sua mãe, minha primeira professora.
Ando a ficar velha e melosa, disso não resta dúvida...
*NOTÁVEL MÉDICO e biólogo quinhentista Garcia de Orta (1499-1568), filho de pais espanhóis estabelecidos em Castelo de Vide, realizou os estudos em Espanha, tendo exercido medicina em Portugal. |
sábado, janeiro 13, 2007
Vivam eles... e a família também!!!

Lá iremos todos, felizes e contentes, atrás deles!
THE CHAPEL OF LOVE (
Spring is here
The sky is blue
(whoa-whoa-whoa)
Birds all sing
As if they knew
Today's the day
We'll say I do
And we'll never be lonely anymore
Because we're
Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Gee, I really love you and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel of love
Bells will ring
The sun will shine
(whoa-whoa-whoa)
I'll be his and
He'll be mine
We'll love until
The end of time
And we'll never be lonely anymore
Because we're
Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel and we're
Gonna get married
Gee, I really love you and we're
Gonna get married
Goin' to the chapel of love
Nosso patinho lindo foi ao teatro
Netinho foi ao teatro, ver "O Patinho Feio", a 104ª produção do TEF (Teatro Experimental do Funchal)Convido-vos a uma espreitadela ao trabalho, de grande persistência e qualidade, levado a cabo por esta companhia, numa área em que a luta é sempre bem maior do que os resultados.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
A senho' Maria

http://aoit.jatc-sandy.org/file.php/1/DigitalWizardContest/
A Senho'Maria apareceu-me ao caminho, perto de casa, num dia chuvoso e grisalho. Um troquinho para o leite, menina? Uns olhinhos azuis vibrantes, um sorriso doce, iluminando aquele dia tristonho. Para o leite?! perguntei intrigada. Sim, menina, é qu'eu sou diabética e o senhor doutor manda-me tomar muito leite. E também me manda andar bastante a pé, sabe a menina? E por isso eu desço do Bom Sucesso e volto a subir, todos os dias. A pé. Também, sabe, eu quero estar aqui na esquina a ver passar o me' filho, qu'é chófer e quando ele passa por' qui, eu posso ver ele, senão não vejo nunca, qu'ele não m' aparece. Uma mãe sente saudades, a menina é mãe? então sabe como é. Uff, eu sei. Quanta coisa em tão pouco tempo!A senhora estava mesmo a precisar de uns ouvidos! A senhora como se chama? inquiri. Eu sou a Senho'Maria, e a menina?
Ficámos amigas a partir daquele dia. Indiquei-lhe a minha casa e pedi-lhe que passasse, sempre que lhe desse geito, para receber o 'troquinho para o leite'. Assim fez, durante anos. Tocava a campainha, sempre pela mesma hora, todas as semanas, e respondia ao intercomunicador: Sou eu, a Senho'Maria! A seguir ouvia-lhe a gargalhada sonora, até estridente, com que pontuava quase tudo o que dizia. Se nos encontravamos na rua, no local onde esperava ver passar o filho, sentavamo-nos um pouco num dos bancos do Jardim do Campo da Barca e esperávamos juntas. Nunca vi que ele passasse. Mas aquela mãe não perdia a esperança de o ver passar um dia. O percurso do filho teria mudado? Ela esperava, paciente. Falavamos da diabetes, eu para saber se estava a ir ao centro de saúde controlar, ela garantindo que sim. Abraçava-a à despedida, dois beijinhos, uma festa no rosto. Mais um sorriso dela, mais uma gargalhada. Uma pequena alegria!
Um dia disse-me que faria 90 anos em Maio. Nessa altura o troquinho avolumou-se e os meus beijinhos e abraço de sempre foram mais efusivos. Senh'Maria, que bonita idade! E com esses olhinhos azuis tão espertos! Ela pestanejava, brejeira, coquete, sabendo o valor daqueles olhos. E deixe-me ouvir a sua gargalhada que ainda hoje não ouvi! pedia eu. E ela, generosa, soltava a gargalhada, para atender ao meu pedido.
Todas as semanas, a partir daqueles 90 anos que completou, eu começei a temer que um dia a Senho'Maria não aparecesse mais.
E agora?
Há meses que não vem. Nem cheguei a saber onde vivia, ao certo, para poder procurá-la.
Hoje tenho vontade de ir para aquela esquina do jardim, onde ela esperava o filho. Esperar por ela.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Bom recordar, em cada início de ano!
Thiago de Mello
Os Estatutos do Homem (Acto Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Definição de calorias
Das mais originais
terça-feira, janeiro 09, 2007
Delicadeza
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Quem anda à chuva...

Vida complicada.
Size doesn't count


Devo concluir que o tamanho não conta! Às vezes esforço-me por escrever textos elaborados e relativamente longos, se calhar fastidiosos, para não dizer pior... e os amigos comentam...ma non troppo.
Agora resolvi seguir o estilo do amigo e mentor SimãoCireneu, alternando pequenos textos estimulantes, e não é que os amigos comentam troppo piu?
Late bloomer
É bem verdade que a idade é um estado de espírito. O meu tio A., aquele que casou aos 66 anos pela primeira e única vez com uma jovem 43 anos mais nova e acertou em cheio, como já referi num post anterior, faz hoje 86 anos. Agora descobriu os prazeres da fotografia e anda a fazer-me concorrência nessa área...só que não tem PC e guarda as fotos em disco para ver na tv. Mas ainda acredito que, um dia destes, se entusiasma e acaba...blogando, como eu. Sei lá, se isso acontecer, já não serei eu a mais velha da blogosfera!A propósito de David Mourão-Ferreira
Hoje estava a contar a uma amiga, a propósito do autor do poema que abaixo transcrevi, que ele era um homem cheio de charme, para além de ser um excelente poeta e de ter, entre outras qualidades, uma linda voz.Eu sou muito sensível a uma voz bonita, masculina. Adoro ouvir Manuel Alegre e o actor Rui de Carvalho. Bem, e a voz masculina cá de casa também é bastante agradável...
Rumo a leste!
Diz-me o que tens calçado...
A Secreta Viagem
No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? - Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
- Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!
David Mourão-Ferreira
"A Arte de Amar" (1948-1962)
Segunda resolução de ano novo
Primeira resolução de ano novo
Agradar
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Piratas ou porquinhos
Gente geleia

Antes só (por vezes) do que (mesmo) bem acompanhada

http://olhares.com/vasco_da_gama_2/foto891536.html
Para depois apreciar, mais ainda, os momentos de convívio e de partilha.
Pela Vida!
7 semanas
Aproxima-se a data do referendo sobre a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) até às 10 semanas .
A primeira:Sou uma das sócias fundadoras do Centro da Mãe, associação particular de solidariedade social surgida da iniciativa de uma Mulher, Rosemary Blandy, a quem logo outras se juntaram, com o objectivo de ajudar jovens mães em risco a ter e criar os seus filhos em vez de considerar o aborto uma opção. Desde a sua criação, há talvez já uns oito anos, desenvolve esta instituição um trabalho valioso, ajudando dezenas de mulheres a estruturar a sua vida, a aprender a cuidar dos filhos como eles precisam, a completar escolaridade, a reflectir sobre uma sexualidade responsável, a fazer formação profissional, a poder enfim, encarar o futuro com esperança,com bases mais sólidas e com autonomia.
Porque me identifico plenamente com os propósitos desta Associação que é um verdadeiro Movimento pela Vida, tenho mantido uma colaboração voluntária, na medida da minha disponibilidade.
A segunda: Vou ter o segundo neto. Desde o momento em que ele foi uma certeza, com umas escassas seis semanas, eu amo essa criança, não apenas por ter alguns dos meus genes e vir alegrar ainda mais a nossa vida, mas por ser UMA VIDA, plena, promissora, detentora de direitos fundamentais.
Reconheço o drama de muitas situações vividas por muitas mulheres, mas acredito firmemente que a alternativa é um planeamento familiar efectivo e um apoio social e económico aos pais para que possam criar os seus filhos em condições dignas. Acredito que devem ser criadas mais estruturas de apoio a mães solteiras como aquela em que participo e que o Estado deve assumir claramente uma valorização da família.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Fim d'ano da Madeira entra para o Guinness!!!

Eu assisti pela 33ª vez consecutiva! Senhores juízes, não constituirá isso um outro recorde, tendo em conta que sou uma simples continental, não nada e criada na ilha da Madeira?
A verdade é que o espectáculo foi fantástico, de luz, cor, som... os navios a apitar durante o primeiro minuto, uma apoteose final absolutamente impressionante que mais parecia um bombardeamento! Eu sempre vira a partir de um ponto alto do Funchal mas ontem, pela primeira vez, vi de um nível próximo do mar, com o anfiteatro todo na frente ... Extraordinário! Indescritível!
Recomendo a todos que, pelo menos uma vez na vida, se deixem arrebatar por este espectáculo.





















