Não consigo lembrar-me do nome dela. Sei que vinha de Leste, da Ucrânia, creio. Tocou violino durante cerimónias ecuménicas em que participei. Tinha uma filha, linda como ela, muito pequena ainda. Diziam que estava a criá-la sózinha. Imaginei as dificuldades que teria, longe do seu país. Hoje lembro-me dela com tristeza. Dizem-me que regressou às suas origens. Pelas notícias que nos chegam do seu país, não deve estar a ter uma vida melhor. A menina crescerá ao som do violino, acompanhando a mãe. Ou será que nem isso? Gostava tanto de saber como estão. De ouvir de novo o violino dela, e ver a menina ao seu lado, sorrindo, timidamente mas em segurança.
Tentar "descobrir a música que se toca dentro do nosso corpo, inaudivelmente, apesar dos ruídos da estática que enchem o nosso espaço". Rubem Alves
terça-feira, março 11, 2014
quinta-feira, março 06, 2014
Subidas... descidas...
Photo by Anata MéDuse
in Minimalism
Esta escadaria é muito semelhante à do consultório de um médico onde um dia levei o meu Pai. Subiu muito devagar, quebrado pelos anos, que lhe pesavam, e pela depressão, que o afligia. Mas descer foi o mais difícil. Os degraus eram largos, do lado da parede, e demasiado estreitos, do lado do corrimão onde ele queria apoiar-se. Chegarmos do segundo andar até ao fim da escadaria foi uma tarefa hercúlea para ele. Demorámos um tempo que nos pareceu a ambos infindo. Não entendo porque mantêm os médicos os seus consultórios de início do século passado, mesmo centrais, quando a mobilidade de tantos dos pacientes é reduzida... Há dias, tanto tempo depois do episódio com o meu Pai, subimos a escadaria de cardiologistas que corresponde também a este padrão. Parecia que estavamos a fazer a prova de esforço ainda antes de ela nos ter sido exigida...
terça-feira, março 04, 2014
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