domingo, agosto 26, 2007

Já começámos a morrer

imagem de Frederico Homem de Gouveia

Há anos, dias depois do desaparecimento prematuro de um colega de curso e querido amigo, encontrei um outro colega, de curso e profissão, à entrada de um Congresso. Abraçou-me e disse esta frase que me impressionou imenso:
‘Já começámos a morrer ’.
Desde então o lamento assim expresso vem-me vezes demais à lembrança. Hoje, de novo, ao ouvir a notícia da morte de Eduardo Prado Coelho, mais velho do que eu cinco anos mas que ainda encontrei, já de saída, quando entrei para a Faculdade de Letras.
Quando desaparece um contemporâneo que conheci, ou um amigo da mesma geração, repito a frase para mim mesma e não posso deixar de juntar à tristeza de sabê-los longe para sempre, a impressão de que, mais dia menos dia, outros de nós inexoravelmente lhes seguirão os passos. Porque... já começámos a morrer.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Uma flor a vender flores

Eu: Ora, porque a senhora é tão bonita como as flores!

Ela: Porque é que estão tantos a tirar-me uma fotografia?

Esta florista vende as suas flores no exterior do Mercado dos Lavradores, ele próprio uma maravilha arquitectónica. Neste dia, passaram por ela os cerca de 40 fotógrafos que participavam no 1º Encontro de Olhares no Funchal. Ela notou e foi notada...

segunda-feira, agosto 13, 2007

Miguel Torga

foto e selecção de poema por Carlos Pedro


Por tudo passa o artista:
Primeiro, pela alegria
De se julgar criador
No seio da natureza;
Depois, por esta tristeza
De ver morrer o que fez,
Sem ter nas mãos a certeza
De erguer o sonho outra vez.

Miguel Torga (Diário V)

Aproveito para sugerir uma visita à galeria fotográfica do meu amigo Carlos Pedro, utilizando o link, onde encontrarão inúmeros poemas do Torga acompanhando belissimas imagens de terras e gentes transmontanas.

domingo, agosto 05, 2007

Memórias de outros verões



São Lourenço, logo ali depois da Ericeira, ao virar à direita, era um lugar quase ermo na altura. Uma delícia frente ao mar imenso que rugia sem cessar nas noites de Agosto, iluminadas certos dias por um luar prateado que nos fazia ficar de olhos nele, a gravar a imagem para não a esquecer nunca. Quarenta anos depois, essa imagem e outras, estão bem vivas .
O terreno da casa acabava a pique sobre um mar que parecia só nosso. Desciamos a escadaria até à praia e lá ficavamos horas esquecidas, a gozar a frescura daquele mar frio, furando ondas para depois, ao sol, sem protecção contra raios intensos cujos malefícios ainda não conheciamos, estendermos as toalhas e ganharmos o tom bronzeado que acentuava a beleza da nossa juventude. Se usavamos creme, não era para proteger a pele, mas antes para conseguir um bronzeado ainda mais intenso. Coppertone.
Descíamos cedo, para aproveitar ao máximo. Depois de almoço, cumprindo ordens superiores, fingiamos a sesta, falando baixinho e jogando cartas debaixo da colcha da cama, num ápice escondendo o jogo e aparentando dormir se a vigilância apertava. 'Porque o ar do mar cansa , é preciso descansar'.
À tarde um passeio à vila, para ver e ser visto. A Ericeira inundada de veraneantes, fervilhando de vida, a contrastar com a solidão do inverno.
Às vezes havia outros passeios mais longe: à Praia das Maçãs, às Caldas da Raínha, a Lisboa, a Sintra... para voltar logo a seguir, junto ao mar de São Lourenço, onde as férias se desenrolavam sem preocupações e sem pressa, o tempo rendia, a alma estava tranquila e o corpo se recompunha de cansaços.
Memórias de outros verões...

sábado, agosto 04, 2007

quarta-feira, agosto 01, 2007

Um convite



fotos de Filipe Caetano

Sou membro do site de fotografia Olhares.com
e tenho conhecido por lá fotógrafos fabulosos (outros nem tanto...).
Um dos meus favoritos é o Filipe Caetano
que tem uma galeria notável.
Comprovem aqui .
Visitem a galeria do Filipe
e digam-me se não são maravilhosas todas as fotografias.
Não há como não admirar
as imagens do reino animal captadas por ele.
Além disso é super simpático,
não fosse ele meu 'primo',
partilhando o mesmo apelido (meu de solteira)
e ainda me dedicou a fotografia desta borboleta
( Papilio machaon).
A joaninha
(Coccinella septempunctata, como ele diria)
já lha pedi há muito porque, como sabem,
adoro Joaninhas...

Formas de ver

foto: produção caseira

Podemos ver apenas o que está mais perto: um emaranhado confuso de galhos secos, que não fazem muito sentido.
Podemos ver mais além: um céu azul, prenúncio de esperança e dias melhores.
Ás vezes vejo apenas os primeiros.
Outras vezes consigo ver mais longe.