quinta-feira, novembro 15, 2007

Ele está aqui


Ele está aqui, há cinco anos. Mas está, sobretudo, noutros lugares. Na família que criou, nos jardins que plantou, nos alunos que ensinou, nos caminhos que percorreu. S.João de Tarouca, Lamego, Vidigueira, Montemor-o Novo, Lisboa, Mafra, Malveira, Funchal. Naquilo em que acreditou. Nos sonhos que teve. Nos que concretizou. Nos que levou consigo. Nos 89 anos que viveu. Ele está.

Vencedoras








Na Páscoa fui convidada a participar num convívio da Delegação na Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Na altura fiz estas imagens que só hoje tive tempo para enviar à Direcção para um cartaz e colocação no site.
Acho todas as mulheres que então fotografei, verdadeiras vencedoras. As que foram apoiadas pela Liga durante a sua doença, são as maiores vencedoras. Mas as voluntárias também o são, por não se conformarem com a inércia e o comodismo e por darem de si, do seu tempo e dos seus afetos em prol das primeiras.
A pomba branca que também registei apareceu e ficou por ali muito tempo. Era uma ave da mesma plumagem que as outras 'aves' lá presentes: da cor da Esperança, da Paz , da Vida.

Poema da buganvílea

foto da Joana

Algum dia o poema será a buganvília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.

Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.

Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.


António Gedeão

Pensamento do dia


A felicidade está em usufruir e não apenas em possuir.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Matéria para pensar...

Texto de João Pereira Coutinho, Jornalista.

Não tenho filhos e tremo só de pensar.
Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.·
Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.
Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.·
Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis.
E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades
modernas: a vida não é para ser vivida mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos.
Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.
Não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!

domingo, novembro 11, 2007

Farmacêutico dorme tranquilo


Mais outro que segue o exemplo de S.Martinho...
Recebi hoje este e-mail que vale a pena divulgar:

Muitas clientes de Carlos de Almeida não podiam pagar a vacina contra o cancro do Colo do Útero. Então, decidiu vendê-la sem lucro.
Carlos Almeida, 47 anos, director técnico da Farmácia de Santa Catarina no Porto, desenvolveu um projecto filantrópico com repercussões vitais na saúde das mulheres portuguesas:
Abdicou das margens de lucro das duas vacinas preventivas do cancro do colo do útero à venda no mercado, ficando as duas ao mesmo preço.
"Não preciso ganhar dinheiro com este medicamento, porque vejo que há uma extensa série de pessoas que não a consegue comprar. E essa imagem é mesmo muito triste", explicou ao 24 Horas.
Com a consciência atormentada, este João Semana das farmácias decidiu fazer alguma coisa. Vende as vacinas ao preço que as compra, possibilitando a mais gente o acesso a um eficaz meio de prevenção de uma das doenças mais mortíferas do sexo feminino.
" Pensei fazer um desconto, mas ainda assim era cara. Não fiz acordo com laboratórios nem com ninguém quando decidi vender a preço de custo. Não tenho lucro, mas pelo menos durmo de consciência tranquila", diz.
As duas vacinas custam 481 e 433 Euros e a Farmácia Santa Catarina está a vendê-las a 390 Euros - ainda assim um preço alto para uma grande maioria de famílias, principalmente numerosas.
Ciente das dificuldades, Carlos Almeida, lembrou-se de negociar com uma empresa de crédito, permitindo aos clientes comprar a vacina e pagá-la ao longo de um ano.
" É mais um meio para adquirir o tratamento", justifica.
E até quando a Farmácia Santa Catarina vai continuar com tão altruísta acção?"
"Até a vacina ser incluída no plano de vacinação nacional ou até ser comparticipada pelo Governo. A prevenção não pode ser um privilégio", sublinha.

De acordo com o site Medicos de Portugal:

O cancro do colo do útero é causado pelo Papilomavírus Humano. A ligação entre a infecção do Papilomavírus Humano e o cancro do colo do útero é mais forte do que a relação entre fumar e o cancro do pulmão. No total, uma estimativa de 70% das pessoas sexualmente activas podem estar expostas ao Papilomavírus numa certa altura da sua vida, sendo assim muito comuns as infecções genitais por este tipo de vírus que é muito infeccioso.

Em geral, o vírus pode desaparecer por si ou não exibir quaisquer sintomas. No entanto, num determinado número de casos, pode causar lesões cervicais de baixo grau e lesões genitais externas (incluindo verrugas vaginais). Em alguns casos, as lesões cervicais podem progredir para lesões cervicais de alto grau ou pré-cancerígenas o que pode, em caso último, originar um cancro no colo do útero.

Uma outra análise das fases II e III demonstrou uma grande eficácia da vacina quadrivalente contra o papilomavirus humano em mulheres que foram previamente expostas a um ou mais tipos de vírus da vacina. Nestas mulheres, a vacina preveniu a 100% os precursores do cancro do colo do útero devido a esses tipos de vírus da vacina a que as mulheres não foram ainda expostas. A vacina foi também bastante eficaz na prevenção de lesões genitais externas causadas pelos tipos 6, 11, 16 e 18 do Papilomavírus Humano.

O que será preciso para que a vacina passe a ser comparticipada e estes factos deixem de ser uma realidade que nos envergonha?:

-Todos os anos morrem 200 mulheres em Portugal com este tipo de cancro;

- Em Portugal verifica-se a maior incidência de cancro do colo do útero entre os restantes países da União Europeia, cerca de 17 casos por cada 100 mil habitantes, com 958 novos casos por ano;

DENEGRO, a nova fábrica de chocolates frescos!


clique na imagem para a aumentar

Fiquei a saber hoje que um casal nosso amigo, com outro casal amigo deles, formaram uma empresa cheia de criatividade e bom gosto: produzem os chocolates DENEGRO.
Palavras deles:
'Lá fabricamos bombons e trufas tudo em cozinha própria. Estamos a começar mas já deu para nos divertirmos. Somos 4 reformados à procura de uma nova identidade.'
Acho a ideia genial, não só a produção de chocolates frescos, como a de reformados cheios de boas iniciativas, incapazes de parar.
Espreitem o site deles, carregando no link que aqui deixo. E não esqueçam esta marca, que ainda vai dar muito que falar, digo eu que conheço a garra dos fabricantes!


Quentes e boas?



Na minha infância as castanhas assadas eram vendidas em cartuxos improvisados com papel de jornal. A verdade é que ficavam quentinhas durante mais tempo.
Hoje as embalagens sofisticaram-se, o preço das castanhas aumentou, o tamanho e a quantidade delas em cada dose diminuiu e o sabor de outros tempos está mais na nossa memória do que nelas.
O senhor que assa castanhas na Avenida do Mar também não as apregoa 'Quentes e boas!'. É até bastante carrancudo, serumbático e calado. Nem olha para o cliente. Limita-se a estender o cartuxo das castanhas e a guardar o dinheiro, em gestos gastos de tão repetidos, sem calor humano. Talvez o calor do fogareiro, o fumo de todos os dias, lhe tenham tirado o sorriso. Ou talvez nunca o tenha tido. Talvez se limite a tentar sobreviver.

S.Martinho


Uma figura bem simpática, S. Martinho. Pobre, repartiu a sua velha capa com quem era ainda mais pobre do que ele.
Num peditório vi gente com pouco que não deixava de dar alguma coisa para quem menos tem. Também esses seguem o exemplo do santo.
No trabalho de voluntariado no qual me envolvo, repito o mesmo gesto. Mesmo que não tenha tempo, e o tempo é a minha capa de S.Martinho, procuro dar algum a quem precisa.

domingo, novembro 04, 2007

O diabo do mosquito!


A Madeira vem sendo importunada por uma desagradável praga de mosquitos que os especialistas catalogam como 'Aedes aegypti'. Por terem primeiro sido detectados na zona de Santa Luzia, no Funchal, passaram a ser referidos popularmente como 'mosquitos de Santa Luzia'. Se a memória não me falha nem foi afetada pelas inumeras picadelas, tudo começou há uns dois anos.
Os malandrões são quase invisíveis, difíceis de apanhar, mas o seu efeito é devastador. As urgências têm atendido inumeros casos, sobretudo de pessoas que, uma vez picadas, desenvolvem reacções alérgicas, algumas graves. A empresa 'Extermínio' tem atacado em várias frentes, desinfestando locais onde se concentra muita gente, incluindo as escolas. A Direcção Regional de Saúde Pública afirma que está a envidar todos os esforços para combater a praga mas já foi acusada de pouco fazer. Um especialista universitário sobre a matéria garantiu que o combate não está ser feito de modo adequado... Enfim, o fim dos mosquitos não está à vista e são centenas as pessoas que têm sofrido com as picadas. Quase sempre atacam as pernas e os pés. Voam baixinho e são silenciosos. A população tem sido aconselhada a não ter água estagnada nos quintais, em especial nos pratos dos vasos de plantas, mas as lagoas dos jardins públicos poderão também constituir local de propagação.
A imagem que escolhi é uma fotografia de um companheiro do Olhares, o João Arlindo Ornelas Sousa. Está um close-up tão perfeito que achei que poderia ser do famigerado Aedes aegypti mas não estou bem certa se será, pois nem de lupa consigo avistar um dos desalmados para me tirar de dúvidas e para o esborrachar sem dó nem piedade, aliás tal como ele nos tem tratado a todos nós.

Lídia Jorge sobre Doris Lessing


In Notícías Magazine de hoje:

'Acho que foi extraordinário.Toda a gente pensava que ninguém mais iria dar o prémio (Nobel) à Doris.Corria a ideia de que ela era demasiado comprometida para ser uma escritora de natureza estética.Têm até falado muito dela, sobretudo nos países do Sul, onde não há muitas traduções sobretudo em Portugal, sem a terem lido. Lendo percebe-se que além do lado fraterno com o mundo e do comprometimento com a mudança social, Doris Lessing é uma criadora, é uma artista de imensa dimensão.É um erro menosprezá-la.
O Nobel é um prémio impossível,sempre que é dado a alguém fica uma centena de escritores no mundo por premiar.Foi simbólico porque deram a uma mulher velha, cheia de cabelos brancos, empenhada e uma grande escritora.A forma como ela recebeu o prémio, aliás corre no Youtube,a saída dela do táxi, acho que é de uma comoção imensa. Ela com o filho, com o braço doente, tendo ele numa das mãos uma alcachofra e na outra uma réstia de cebolas... E a surpresa dela, desgrenhada como qualquer velha que vai às compras. Acho que foi um presente para todas as mulheres, que nunca terão reconhecimento pela sua própria vida.'

Oh, Christ!!!

Paciência

autoria da imagem : Joana

poesia de Arnaldo Jabor

Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e
supermercados...

Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria
tão rara hoje em dia .
Por muito pouco, a madame que parece uma 'lady' solta
palavrões e berros que lembram as antigas 'trabalhadoras do cais'...

E o bem comportado executivo?
O 'cavalheiro' se transforma numa 'besta selvagem'
no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da
vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma 'mala sem alça'.
Aquela velha amiga uma 'alça sem mala', o emprego
uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o
passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele
pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos
bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto
maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem
tempo para a vida, sem tempo para Deus.

A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito,
a paciência sintética dos calmantes está cada vez
mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é 'ansioso demais' onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de
sua resposta.
E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai aguentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...

sábado, novembro 03, 2007

Pais Animais

Fazer diferença

imagem: produção familiar


Um escritor caminhava à beira-mar de manhã para se inspirar e à tarde ficava em casa a escrever. Certo dia, viu que uma criança que apanhava estrelas-do-mar na areia e, uma por uma, as colocava no mar. "

-"Porque fazes isso?" - perguntou o escritor.

- "O senhor não está a ver?!" - explicou a criança - "a maré está baixa e o sol está muito quente. As estrelinhas-do-mar vão secar e morrer se ficarem aqui na areia".

O escritor espantou-se.

- "Existem milhares de praias neste mundo e milhões de estrelas-do-mar. Que diferença irá fazer? Tu salvas umas poucas, mas a maioria acaba por morrer".

A criança parou a olhar para o escritor, mas instantes depois pegou noutra estrela-do-mar, colocou-a no mar e disse ao escritor:

- "A esta fiz diferença".

E seguiu caminho continuando a sua "missão".

Naquela noite, o escritor não conseguiu dormir, e, pela manhã, voltou à praia ao encontro da criança. Uniu-se a ela e, juntos, começaram a devolver as estrelas-do-mar ao oceano.

Autor desconhecido

Esta agora...




resolveu 'armar' em fotógrafa!

sexta-feira, novembro 02, 2007

Este meu blogue

autoria da imagem: Joana

Vou colocando aqui lembranças e reflexões, memórias, opiniões... quando me ocorrem e quando tenho tempo para traduzi-las em palavras... Imagens que me tocam. Sons...
Este é aquilo que se designa como 'um blogue generalista'. Aflora tudo em geral, nada em especial.
Às vezes está meio adormecido. Já esteve mesmo... desaparecido. Depois renasce, retoma forças e vai seguindo o seu modesto caminho. Fez amigos, perdeu alguns visitantes que não chegaram a tornar-se amigos... e lá vai vivendo, já perto dos dois anos.
Tornou-se mais do que um hábito. Uma companhia. Tomou até espaços e tempos que não lhe deviam pertencer.
Tem pouco a ver com os meus diários da juventude. Esses não eram abertos ao mundo.
O blogue aí está. Um espaço de partilha. Uma sala de visitas...
Um malmequer com muitas pétalas. Muito, pouco ou nada.


Contrastes


Estamos já bem dentro do século XXI e os contrastes entre ricos e pobres, entre os que tudo têm e os que nada têm, entre o Norte e o Sul, entre meninos obesos de uma sociedade afluente e meninos esquálidos e subnutridos de países ditos subdesenvolvidos, entre quem tem casarões enormes e quem vive numa barraca, entre quem tem um amanhã seguro e quem nem sabe o que fazer no dia de hoje para conseguir emprego ... são tantos os contrastes e não cessam de existir.
Até quando?

quinta-feira, novembro 01, 2007

Afinal, sim às bruxas, ou não?...

Não me agrada muito ver a forma como nos apropriamos de tradições que não são nossas, só por razões mercantilistas, que outras não deve haver por detrás da divulgação da parafernália que enfeita a Noite das Bruxas, o Dia de S.Valentim e outras ocasiões transpostas das culturas de expressão germânica.No entanto, devo confessar que acho alguma piada à primeira destas, o Hal'loween. Daí a razão da brincadeira no post anterior.
Só por pouco não saí por aí esta noite, vestida de bruxa, para ver se me divertia um bocado, o que me está a fazer uma falta ... diabólica!