Quando eu era jovem, conduzia VWs do meu pai que, de quando em vez, tinham furos. Nunca precisei de mudar um pneu. Bastava sair do carro e ficar uns instantes a olhar para o pneu furado que aparecia de imediato um gentil candidato a mecânico-socorrista, perguntando se eu precisava de ajuda...Tentar "descobrir a música que se toca dentro do nosso corpo, inaudivelmente, apesar dos ruídos da estática que enchem o nosso espaço". Rubem Alves
terça-feira, janeiro 30, 2007
Tempos diferentes
Quando eu era jovem, conduzia VWs do meu pai que, de quando em vez, tinham furos. Nunca precisei de mudar um pneu. Bastava sair do carro e ficar uns instantes a olhar para o pneu furado que aparecia de imediato um gentil candidato a mecânico-socorrista, perguntando se eu precisava de ajuda...sábado, janeiro 27, 2007
Moda cavaleira não dá para mim...
Parece-me bem assim: bota alta para peso baixo; bota baixa para peso alto.
Alguém discorda?
Mas não é o mesmo?
Diálogo de ontem à noite com o netinho - dois anos e meio - antes de adormecer e depois de ouvir ler duas histórias de piratas:neto: Vóvó, onde está o vôvô?
avó: Está lá dentro a ver as notícias.
neto: Eu não gosto das notícias.
avó: Também eu não gosto. Gostas de quê, então?
neto: De histórias de piratas!
Mas não é tudo, mais ou menos, o mesmo?
É preciso saber perguntar...

Sabes... bem... Já não estou com a X.., agora estou com a Y...
Resolveu então, para evitar mais constrangimento, passar a perguntar:
Como estão todos lá em tua casa?
E deu-se muito melhor fazendo a pergunta deste modo, vaga e polivalente.
Lá vai ela!
mas nunca perde o rumo nem se amedronta.
E não é que está quase a chegar?!
Vai, joaninha,
Vai, Joaninha!!
Go! Go! Go!
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Fiz sumir um enfermeiro?
Há quatro meses com uma requisição de análises na gaveta, acordei hoje, finalmente, com uma disposição de construir cidades e rumei determinada ao centro médico, sem desjejum, boiãozinho de urina na bolsa, cheia de vontade de despachar o assunto e não ouvir uma 'resonda'* da minha médica, que não é de dar água a pintos**.Chego ao recém inaugurado-modernamente equipado centro e sai-me na rifa um enfermeirinho que não aparentava mais do que uns 23 anos, ar imberbe, sorriso tímido. Estou tramada, pensei eu logo, será que este sabe o que faz? Bem, não sou a rainha da coragem, mas também não sou nenhuma gimbrinhas***: Qual dos braços quer? perguntei, mais ou menos à vontade. Este!, escolheu ele. Bem, para encurtar pormenores. Vinte minutos depois, ele já tinha 'esfuracado' ambos os meus membros superiores à procura da veia que, pelo menos uma centena de vezes, já fora rapidamente encontrada por outros e ... nada. Declarou: Que estranho, o que será que se passa? Não estou a encontrar uma única veia. Veja lá, senhor Enfermeiro, uma ao menos há-de haver por aí, se o senhor procurar bem... Nada! Nem sinal de pinga de sangue lá no material de colheita. Caramba, como vou sair desta? teremos perguntado ambos para os nossos botões. Para aliviar o silêncio desconfortável eu tentei brincar referindo que, se calhar, os meus braços eram volumosos de mais. A teoria dele era diferente: Será do frio? Frio?! Estava uma bela manhã de sol mas fria, sim, é verdade, deve ser do frio... Umm... há uma solução, se quiser, disse ele então, a medo. Posso picar na mão!Ehh lá, espere aí, nunca colhi sangue para análises de rotina picando mãos. Não tem um colega que o venha ajudar? Que não, que só lá estava ele àquela hora. Eh lá, salve-se quem puder! Não se preocupe, senhor Enfermeiro, eu não tenho pressa disto, volto noutro dia melhor. E...porta fora!!
Ao passar na recepção, para acertar como ficava a requisição, já entregue, depois deste insucesso, uma técnica que por ali estava ouviu o meu relato e... Desculpe meter-me no assunto, não sou enfermeira mas sou técnica de análises. Eu resolvo. Dá-me licença? Respondi que sim, só lhe tinha a agradecer.
Enfim, resumindo de novo. Primeiro ela foi procurar o outro enfermeiro por todo o lado e não o encontrou. A seguir demorou pouco mais de 30 segundos a colher todo o sangue necessário, e pediu insistentes desculpas pelo fracasso anterior, até porque, dizia ela, estavam lá, sim, outros enfermeiros na altura. Azar o meu! Calhei com o mais inexperiente deles todos, no dia não dele.
Lá me livrei das análises e eles do enfermeiro que, ou muito me engano, ou desapareceu da circulação para se retemperar, pelo menos por algum tempo.
O que o frio pode fazer! Ou fui eu?...
* regionalismo madeirense para ' ralhete'
*** termo usado em vez de ' fraquichelas'
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Meu sobrinho preferido
Ontem fez 27 anos, o meu sobrinho preferido. Brasileiro da Bahía, como Jorge, amado como esse. Grande sobrinho, metro e oitenta e seis, bonitão, cavaleiro afamado, inteligente, simpático!Quando era pequeno e vinha à Madeira visitar este lado da família, enchia os nossos dias de boa disposição. Houve uma altura em que tudo o que comia, e era bastante, molhava primeiro na Coca Cola. E não é que deu resultado!
Bons tempos esses! Agora, concluído o curso de Gestão, trabalha e não tem fériazinhas escolares para poder vir. Também outros interesses mais altos se alevantam, como diria Camões, pois que o moço é , e muito, comprometido.... Aliás, com o charme que tem, nunca andou descomprometido, desde que teve idade para tal...
Vou conseguindo levar um papinho com ele pelo MSN e já dá para matar um pouco as saudades. Porque não vou eu ao lado de lá, à terra dele? Porque estou cuidando dos interesses dele aqui na Madeira, e isso é uma ocupação full-time, podem ter certeza! E como!!
Quando ele era mais novinho e eu afirmava, como hoje, que ele é meu sobrinho preferido, dizia um tanto incrédulo minha tia não tem outro! . Eu garantia então, e continuo garantindo agora que, ainda que tivesse, ele seria sempre o meu preferido! Sendo filha única, não tenho sobrinhos do meu lado, e ele próprio só tem irmãs. Está certo que gosto dos maridos que elas já me deram ou virão a dar. Mas nenhum ocupará o lugar especial de meu sobrinho preferido!
Desejo o melhor para você, viu, sobrinho preferido!
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Comportamento animal
terça-feira, janeiro 23, 2007
Faz hoje um ano...

Talvez tenha querido apanhar a onda da navegação blogosférica.
Talvez tenha, através dele, arejado a rotina do dia a dia e alguma inércia.
Talvez tenha sido motivada pela leitura de outros blogues, já em andamento.
Talvez tenha encontrado uma maneira de seguir o meu Pai, que gostava muito de escrever, sem pretensões e com o coração.
Talvez, talvez…
Pensei em desistir, a certa altura.
Pensei não estar à altura.
Ainda penso…
Na verdade não tenho feito mais do que aflorar temas, evocar memórias, registar textos significativos, lembrar gente marcante, partilhar imagens…
Mas não criei mais do que um desses blogues generalistas, que falam de tudo e de nada, classificação algo depreciativa que vi há tempos num artigo da imprensa escrita.
Aprendi com todos eles, sobretudo por sermos diferentes e capazes de respeitar as nossas diferenças.
Tenho pena que alguns amigos tenham deixado de comentar, embora saiba que às vezes têm um tempinho para fazer uma visita silenciosa…Agradeço-lhes na mesma.
São dela ou da minha outra filha, Catarina ( perdoem-me o sentimento de coruja), alguns dos textos que li com mais agrado durante este ano a navegar por aqui. Compreendam o meu orgulho e enlevo... e perdoem-me por omitir outros nomeados para os meus prémios de desempenho.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Curar a tosse no Convento!


Não sei se ficámos totalmente livres da tosse, mas no meu 'Memorial' guardo a recordação de um dia muito bem passado, a ver Mafra lá do alto, a fazer jogos, leituras e piquenique, nos Terraços do Convento de Mafra.
Preferências...
Mesmo gostando destas lides que o computador proporciona e da caixa de correio electrónico repleta de sinais de sintonia e amizade vindos dos quatro cantos do mundo em tempo útil, continuo a preferir encontrar, na caixa de correio tradicional, cartas escritas pelo punho dos amigos, com a sua caligrafia única. São cada vez mais raras, mas talvez também por isso, cada dia as vejo como mais preciosas.domingo, janeiro 21, 2007
Jardins do Monte Palace, Fundação Berardo











O Gabriel (Gaby) recebe-nos à entrada. Com um ar indiferente, claro. Como compete a um gato.
Abastado, ainda por cima...
http://www.montepalace.com/
Amigo
Amigo é o que nos procura,
simplesmente por sentir,
prazer, descanso, ventura.
em nos ver e nos ouvir.
Aconselha-nos se erramos,
sem humilhar-nos, porém,
e sempre que precisamos,
ao nosso encontro ele vem.
Tem muitos dos nossos gostos,
das nossas opiniões,
e se divergem os gostos,
concordam os corações.
Quando um dia, inesperada,
uma dor nos espezinha,
embora bem disfarçada,
num instante ele adivinha.
Com uma palavra breve ,
e sábia, realiza o encanto.
Eis que já sentimos leve,
o que nos pesava tanto.
Na hora difícil e indecisa,
em que descremos de nós,
só ele nos valoriza,
com sua calma e sua voz.
Mais que irmão, conceito antigo,
instrui-nos com perfeição.
Se nem sempre o irmão é amigo,
todo amigo é sempre irmão.
Mas não é qualquer no mundo
que possui o raro dom.
Para ser amigo profundo,
é preciso antes, ser bom.
Só quem tem amigo é que sabe disso.
Eu sei, se sei!!
sábado, janeiro 20, 2007
Cartões de crédito
Amigos, não façam como eu! No Natal utilizei vezes demais o meu cartão de crédito e agora, uma semana antes de receber o meu ordenadinho de Janeiro, estou reduzida a um total de dois dígitos no saldo da conta bancária!! E nem adianta tentar consolar-me dizendo que quase todo o país fez o mesmo, porque eu tenho obrigação de ter mais juízo do que quase todo o país!...sexta-feira, janeiro 19, 2007
Dia da Lídia

Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.
II
Escuta, Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis,
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que nos tornou atentos.
III
Ausentes são os deuses mas presidem.
Nós habitamos nessa
Transparência ambígua.
Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente exacto.
O seu olhar ensina o nosso olhar:
Nossa atenção ao mundo
É o culto que pedem
(...)
Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética
DUAL
III-Homenagem a Ricardo Reis
Ed.Caminho
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Para quem recebeu visita da Fada dos Dentes!
1. Baby 2. Fairy 3. Gap 4. Grow | 5. Lose 6. Loss 7. Lost 8. Milk | 9. Pillow 10. Pull 11. Sleep 12. Tooth |
Pensamento da semana
Nem sempre gostamos das respostas que a vida nos dá.
Às vezes, necessitamos mudar as perguntas
OS SAPOS
Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha?
Pense...
A resposta certa é: Restam três sapos.
Porque o sapo apenas decidiu pular.
Ele não o fez .
Nós não somos como o sapo, muitas vezes?
Decidimos fazer isso, fazer aquilo, mas no final acabamos não fazendo nada?
Na vida, temos que tomar muitas decisões.
Algumas fáceis; algumas difíceis.
A maior parte dos erros que cometemos não se deve a decisões erradas.
A maior parte dos erros deve-se a indecisões.
Temos que viver com as consequências das nossas decisões.
E isto é arriscar.
Tudo é arriscar.
Rir é correr o risco de parecer um tolo.
Chorar, é correr o risco de parecer sentimental.
Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor os sentimentos é arriscar expor-se a si mesmo.
Expor as suas ideias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.
Amar é correr o risco de não ser amado.
Viver é correr o risco de morrer.
Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de falhar.
Os riscos precisam de ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada.
A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada.
Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas não aprende, não sente, não muda, não cresce ou vive. Presa à sua servidão, ela é uma escrava que teme a liberdade.
Apenas quem arrisca é livre.
O pessimista, queixa-se dos ventos.
O optimista, espera que mudem.
O realista, ajusta as velas.
autor desconhecido
O que me irrita?
A J@de lançou-me o desafio de listar o que mais me irrita. Ela acha que eu sou boazinha, não sei quê, não sei que mais, que nada me irrita... e ela até tem uma certa razão. Às vezes não compensa ficarmos irritados, não adianta nada, sobe-nos a tensão e não alcançamos bons resultados por essa via. Mas há situações em que, mesmo os que têm maior auto-controle, perdem a calma e ficam irritados. Procurei fazer a listinha para a J@de mas duvido que ela esteja muito completa. Vamos combinar assim: a lista fica em aberto e eu vou actualizando, de cada vez que me deparar com alguma situação irritante. Está bem assim J@de?Aqui vai:
1. Irrita-me a valer ter de 'chupar' o fumo do vizinho do lado, sobretudo num restaurante. Não fumo e não sou fundamentalista em relação ao fumo, mas não suporto que fumem para cima de mim e me privem do meu direito de respirar uma atmosfera livre de fumo. É certo que agora já há zonas reservadas a fumadores e até restaurantes 'smoke free', que têm a minha preferência, mas ainda há dias estava com um grupo de amigas a jantar quando duas delas, ao meu lado, encheram um cinzeiro de 'beatas' e, de cada vez que se voltavam para conversar comigo, lançavam uma baforada de fumo. Isso irrita-me terrivelmente! Não disse nada para não as privar do seu direito a esse prazer (?!) que tanto prezam, mas fiquei...irritada, interiormente. (viu J@de, como sou controlada? eheh)
2. Outra coisa que me irrita, viu J@de, embora em você eu releve e até ache engraçado porque sai naturalmente e faz parte do seu estilo é ... palavrão!
Não suporto palavrão a todo o momento e em cada frase, como fazem alguns. Em casa sou capaz de dizer uma m..... de vez em quando (nem consigo escrever, viu J@dinha?) mas mais do que isso não digo nem gosto que alguém diga perto de mim. Então esses palavrões que agora são tão abundantemente usados, os Cs e os Fs, ihh, esses então não gosto nada. Fico mesmo irritada quando oiço! acho até que nunca disse nem verbalizei essas palavras. Também nunca me deixo chegar ao ponto de irritação em que seja preciso dizê-las para aliviar a tensão...
3. Fico irritada, comigo mesma, quando quero lembrar-me de alguma coisa e não consigo, por mais que me esforce. A minha memória é boa, por enquanto, mas talvez por viver rodeada de casos de falhas de memória, patológicos esses, fico fora de mim, comigo, se não consigo fazer uso dessa capacidade, num momento em que ela me faça muita falta.
4. Irrito-me com a arrogância e também com a intolerância. Em especial não suporto sentimentos racistas e causa-me uma tremenda irritação ouvir, socialmente, como já me tem acontecido, anedotas e piadas de cunho racista. Acho insuportável e não consigo, neste caso, controlar a minha irritação. Para mim, todos os seres humanos são dignos do mesmo respeito e valor. Só lhes noto diferenças nas atitudes.
5. Tenho sempre a sensação de que o tempo me foje e que preciso, urgentemente, do tempo que me está a escapar. Fico irritada, outra vez apenas comigo mesma, quando desperdiço tempo ou o utilizo mal. Também me irritam as pessoas que me fazem perder tempo com conversas ou telefonemas inúteis. Aliás, não gosto muito do telefone e fico irritada quando me obrigam a falar no irritante aparelhinho durante muito tempo.
Ihh, já cá estão cinco. Chega? Quer mais J@de? Pois espere que eu vou acrescentando à lista, como prometido.
terça-feira, janeiro 16, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Uma vida na escola
Nasci numa escola.
Tudo indica que morrerei também numa escola, a manter-se a política de aumento progressivo da idade da reforma. Uma escola seja, então, a minha sepultura! Mas isto é outro assunto e daria (dará!) outro post.
Voltemos ao início. Nasci numa escola, literalmente. Os meus pais viviam no colégio onde leccionavam e eram co-proprietários, o Colégio Garcia de Orta* na Rua Sousa Martins, em Lisboa, bem perto do Liceu Camões e da Maternidade Alfredo da Costa. A circunstância, algo inusitada, de ter nascido em casa e não na maternidade, já foi referida noutro post. Adiante.
Começei a "frequentar" aulas a partir dos dois anos de idade, levada para as salas, ora pelos meus pais, ora pelos meus padrinhos de registo, ambos também professores e sócios do colégio.
Ficava, muito sossegada, a escrevinhar numa folha ou no quadro preto. Imagino que nem distraía os alunos que, nesse tempo, não ousariam distrair-se... Lembro essa fase da vida com grande nitidez.
Quando fui para a escola como aluna, matriculada na 1ª classe, sabia mais do que me tinham ensinado... Aprendera a ler, sózinha, lá pelos cantos onde me sentava com os livros, os primeiros ainda de pano, só depois os de papel, juntando as letras e as sílabas, formando depois palavras e frases, como se isso fosse tão fácil e natural como andar ou falar.
A minha primeira professora primária não teve, portanto, de me ensinar "as primeiras letras", mas guardei sempre dela uma recordação doce e grata. Ensinou-me muitas outras coisas.
A Senhora Dona Maria Amélia Dias de Deus era uma viúva ainda jovem, sempre vestida de negro, de semblante sereno e triste.
Ficara só com dois filhos, dois rapazes que eram o seu enlevo e a sua preocupação. Durante anos a minha mãe correspondeu-se com ela e foi sabendo do percurso académico, brilhante, dos dois. Um médico, outro engenheiro, professor universitário este.
Ainda gostava, um dia, de os encontrar e recordar, com eles, a sua mãe, minha primeira professora.
Ando a ficar velha e melosa, disso não resta dúvida...
*NOTÁVEL MÉDICO e biólogo quinhentista Garcia de Orta (1499-1568), filho de pais espanhóis estabelecidos em Castelo de Vide, realizou os estudos em Espanha, tendo exercido medicina em Portugal. |

























