terça-feira, janeiro 30, 2007

Tempos diferentes

Quando eu era jovem, conduzia VWs do meu pai que, de quando em vez, tinham furos. Nunca precisei de mudar um pneu. Bastava sair do carro e ficar uns instantes a olhar para o pneu furado que aparecia de imediato um gentil candidato a mecânico-socorrista, perguntando se eu precisava de ajuda...
Ainda bem que aos carros modernos raramente acontece tal precalço, pois duvido que os cavalheiros hoje reparassem sequer que eu estava parada à espera de ajuda para trocar o pneu... Só se fossem atraídos pelo colete reflectorizante verde!...

sábado, janeiro 27, 2007

Moda cavaleira não dá para mim...

www.comparestoreprices.co.uk

Voltou, em pleno, a moda da bota alta, que eu usei na juventude. E voltou, de calça por dentro.
Agora, as botas com que me atrevo a andar, por decoro e sentido das proporções, são bem baixinhas. Não ousaria meter jeans dentro das botas e realçar, dessa forma, os centímetros a mais adquiridos com o tempo e o modo, nos lugares errados.
Parece-me bem assim: bota alta para peso baixo; bota baixa para peso alto.
Alguém discorda?

Mas não é o mesmo?

Diálogo de ontem à noite com o netinho - dois anos e meio - antes de adormecer e depois de ouvir ler duas histórias de piratas:

neto: Vóvó, onde está o vôvô?
avó: Está lá dentro a ver as notícias.
neto: Eu não gosto das notícias.
avó: Também eu não gosto. Gostas de quê, então?
neto: De histórias de piratas!

Mas não é tudo, mais ou menos, o mesmo?

É preciso saber perguntar...


A propósito de um texto do Rodrigo, lá no Direito e Chips, lembrei-me que, uns anos atrás, ouvi alguém contar que, sempre que reencontrava um amigo que já não via há uns tempos e tentava inquirir, interessado, pela mulher dele, referindo-a, gentil e familiarmente, pelo nome, ouvia quase sempre a mesma resposta:
Sabes... bem... Já não estou com a X.., agora estou com a Y...

Resolveu então, para evitar mais constrangimento, passar a perguntar:
Como estão todos lá em tua casa?

E deu-se muito melhor fazendo a pergunta deste modo, vaga e polivalente.

De cabeça, mas com rumo e sabendo nadar

Às vezes na vida, como no mar, é preciso entrar de cabeça. Com rumo e sabendo nadar.
Ela sabe!

Lá vai ela!

Ao ritmo dela, lá vai a joaninha, sempre em frente, rumo ao objectivo principal!
Enfrenta ventos e marés, frio, calor, chuvas e tempestades,
mas nunca perde o rumo nem se amedronta.
E não é que está quase a chegar?!
Vai, joaninha,
Vai, Joaninha!!
Go! Go! Go!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Fiz sumir um enfermeiro?

Há quatro meses com uma requisição de análises na gaveta, acordei hoje, finalmente, com uma disposição de construir cidades e rumei determinada ao centro médico, sem desjejum, boiãozinho de urina na bolsa, cheia de vontade de despachar o assunto e não ouvir uma 'resonda'* da minha médica, que não é de dar água a pintos**.
Chego ao recém inaugurado-modernamente equipado centro e sai-me na rifa um enfermeirinho que não aparentava mais do que uns 23 anos, ar imberbe, sorriso tímido. Estou tramada, pensei eu logo, será que este sabe o que faz? Bem, não sou a rainha da coragem, mas também não sou nenhuma gimbrinhas***: Qual dos braços quer? perguntei, mais ou menos à vontade. Este!, escolheu ele. Bem, para encurtar pormenores. Vinte minutos depois, ele já tinha 'esfuracado' ambos os meus membros superiores à procura da veia que, pelo menos uma centena de vezes, já fora rapidamente encontrada por outros e ... nada. Declarou: Que estranho, o que será que se passa? Não estou a encontrar uma única veia. Veja lá, senhor Enfermeiro, uma ao menos há-de haver por aí, se o senhor procurar bem... Nada! Nem sinal de pinga de sangue lá no material de colheita. Caramba, como vou sair desta? teremos perguntado ambos para os nossos botões. Para aliviar o silêncio desconfortável eu tentei brincar referindo que, se calhar, os meus braços eram volumosos de mais. A teoria dele era diferente: Será do frio? Frio?! Estava uma bela manhã de sol mas fria, sim, é verdade, deve ser do frio... Umm... há uma solução, se quiser, disse ele então, a medo. Posso picar na mão!Ehh lá, espere aí, nunca colhi sangue para análises de rotina picando mãos. Não tem um colega que o venha ajudar? Que não, que só lá estava ele àquela hora. Eh lá, salve-se quem puder! Não se preocupe, senhor Enfermeiro, eu não tenho pressa disto, volto noutro dia melhor. E...porta fora!!
Ao passar na recepção, para acertar como ficava a requisição, já entregue, depois deste insucesso, uma técnica que por ali estava ouviu o meu relato e... Desculpe meter-me no assunto, não sou enfermeira mas sou técnica de análises. Eu resolvo. Dá-me licença? Respondi que sim, só lhe tinha a agradecer.
Enfim, resumindo de novo. Primeiro ela foi procurar o outro enfermeiro por todo o lado e não o encontrou. A seguir demorou pouco mais de 30 segundos a colher todo o sangue necessário, e pediu insistentes desculpas pelo fracasso anterior, até porque, dizia ela, estavam lá, sim, outros enfermeiros na altura. Azar o meu! Calhei com o mais inexperiente deles todos, no dia não dele.
Lá me livrei das análises e eles do enfermeiro que, ou muito me engano, ou desapareceu da circulação para se retemperar, pelo menos por algum tempo.
O que o frio pode fazer! Ou fui eu?...

* regionalismo madeirense para ' ralhete'
** o mesmo que ' não é para graças'
*** termo usado em vez de ' fraquichelas'

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Meu sobrinho preferido

Ontem fez 27 anos, o meu sobrinho preferido. Brasileiro da Bahía, como Jorge, amado como esse. Grande sobrinho, metro e oitenta e seis, bonitão, cavaleiro afamado, inteligente, simpático!
Quando era pequeno e vinha à Madeira visitar este lado da família, enchia os nossos dias de boa disposição. Houve uma altura em que tudo o que comia, e era bastante, molhava primeiro na Coca Cola. E não é que deu resultado!
Bons tempos esses! Agora, concluído o curso de Gestão, trabalha e não tem fériazinhas escolares para poder vir. Também outros interesses mais altos se alevantam, como diria Camões, pois que o moço é , e muito, comprometido.... Aliás, com o charme que tem, nunca andou descomprometido, desde que teve idade para tal...
Vou conseguindo levar um papinho com ele pelo MSN e já dá para matar um pouco as saudades. Porque não vou eu ao lado de lá, à terra dele? Porque estou cuidando dos interesses dele aqui na Madeira, e isso é uma ocupação full-time, podem ter certeza! E como!!
Quando ele era mais novinho e eu afirmava, como hoje, que ele é meu sobrinho preferido, dizia um tanto incrédulo minha tia não tem outro! . Eu garantia então, e continuo garantindo agora que, ainda que tivesse, ele seria sempre o meu preferido! Sendo filha única, não tenho sobrinhos do meu lado, e ele próprio só tem irmãs. Está certo que gosto dos maridos que elas já me deram ou virão a dar. Mas nenhum ocupará o lugar especial de meu sobrinho preferido!
Desejo o melhor para você, viu, sobrinho preferido!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Comportamento animal

Uma das gatas,
do seu ponto de mira favorito
observa, impávida



O que levará um cão,
bem nascido e, mais ou menos, bem educado,
a montar guarda
junto aos sacos chegados do supermercado
e a rosnar a quem deles se aproxima?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Online for 1 year

Viva!!!

Eu!!
Por estar
há um ano já,

nesta vida de
blogueira.


Eu sou desse tempo!!!

Os gatos da Promenade



Não são os gatos selvagens de Roma, mas são lindos também. Estão por aqui desde pequeninos, são alimentados e acarinhados por mãos amigas.

Promenade do Lido - Passeio Público do Funchal




Faz hoje um ano...


Faz hoje um ano! Faz hoje um ano que iniciei este blogue. Não sei bem como, nem porquê…

Talvez tenha querido apanhar a onda da navegação blogosférica.
Talvez tenha, através dele, arejado a rotina do dia a dia e alguma inércia.
Talvez tenha sido motivada pela leitura de outros blogues, já em andamento.
Talvez tenha encontrado uma maneira de seguir o meu Pai, que gostava muito de escrever, sem pretensões e com o coração.
Talvez, talvez…

A verdade é que fui ficando mais colada ao novo hábito, quase vício.

Pensei em desistir, a certa altura.
Pensei não estar à altura.
Ainda penso…

Na verdade não tenho feito mais do que aflorar temas, evocar memórias, registar textos significativos, lembrar gente marcante, partilhar imagens…
Mas não criei mais do que um desses blogues generalistas, que falam de tudo e de nada, classificação algo depreciativa que vi há tempos num artigo da imprensa escrita.

Tive alguns acidentes de percurso. Desses não falarei hoje, nem falarei mais.

Quando um dia encerrar este blogue, guardarei a melhor recordação dos convívios blogosféricos com amigos virtuais da melhor estirpe. Não vou nomeá-los porque estão todos linkados aqui ao lado.
Aprendi com todos eles, sobretudo por sermos diferentes e capazes de respeitar as nossas diferenças.
Tenho pena que alguns amigos tenham deixado de comentar, embora saiba que às vezes têm um tempinho para fazer uma visita silenciosa…Agradeço-lhes na mesma.

Não posso deixar de destacar a minha filha Joana, pelo seu incentivo incondicional e o seu apoio, nesta área onde se move muito melhor do que eu.
São dela ou da minha outra filha, Catarina ( perdoem-me o sentimento de coruja), alguns dos textos que li com mais agrado durante este ano a navegar por aqui. Compreendam o meu orgulho e enlevo... e perdoem-me por omitir outros nomeados para os meus prémios de desempenho.

A todos, o meu bem-haja!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A dash of colour

Também, não é preciso exagerar...

E já que falamos de côr...

Para não dar a impressão, aos visitantes de longe, que o Convento de Mafra está ainda todo cinzentão como na minha infância , aqui fica uma imagem mais actual, com a minha vénia a José Romão.

Curar a tosse no Convento!



Aos oito anos e a residir em Mafra, tive tosse convulsa, maleita ainda muito comum naquela época entre a criançada. Felizmente depois apareceu a vacina, mas eu sou tão antiga que ela não chegou a tempo de evitar que eu passasse dias e dias a tossir constantemente e a cansar os ouvidos dos meus pais que se queixavam de já não me poder ouvir...
O médico recomendou um dia num local bastante elevado, conhecedor das vantagens terapeuticas do ar de altitude para aquele mal. Foi assim que fui, de farnel, respirar um dia inteiro nos terraços do Convento de Mafra, com a Simonetta, filha do então Conservador do Palácio, Escultor Ayres de Carvalho, também ela vítima do surto de tosse convulsa.
Não sei se ficámos totalmente livres da tosse, mas no meu 'Memorial' guardo a recordação de um dia muito bem passado, a ver Mafra lá do alto, a fazer jogos, leituras e piquenique, nos Terraços do Convento de Mafra.

Preferências...

Mesmo gostando destas lides que o computador proporciona e da caixa de correio electrónico repleta de sinais de sintonia e amizade vindos dos quatro cantos do mundo em tempo útil, continuo a preferir encontrar, na caixa de correio tradicional, cartas escritas pelo punho dos amigos, com a sua caligrafia única. São cada vez mais raras, mas talvez também por isso, cada dia as vejo como mais preciosas.

domingo, janeiro 21, 2007

Jardins do Monte Palace, Fundação Berardo













O Gabriel (Gaby) recebe-nos à entrada. Com um ar indiferente, claro. Como compete a um gato.
Abastado, ainda por cima...

Vale a pena ver mais, in loco, ou aqui:

http://www.montepalace.com/

Amigo

Recebi, de terras distantes, um presentinho muito amigo que trazia junto estas palavras lindas:

Amigo é o que nos procura,
simplesmente por sentir,
prazer, descanso, ventura.
em nos ver e nos ouvir.

Aconselha-nos se erramos,
sem humilhar-nos, porém,
e sempre que precisamos,
ao nosso encontro ele vem.

Tem muitos dos nossos gostos,
das nossas opiniões,
e se divergem os gostos,
concordam os corações.

Quando um dia, inesperada,
uma dor nos espezinha,
embora bem disfarçada,
num instante ele adivinha.

Com uma palavra breve ,
e sábia, realiza o encanto.
Eis que já sentimos leve,
o que nos pesava tanto.

Na hora difícil e indecisa,
em que descremos de nós,
só ele nos valoriza,
com sua calma e sua voz.

Mais que irmão, conceito antigo,
instrui-nos com perfeição.
Se nem sempre o irmão é amigo,
todo amigo é sempre irmão.

Mas não é qualquer no mundo
que possui o raro dom.
Para ser amigo profundo,
é preciso antes, ser bom.

Só quem tem amigo é que sabe disso.

Eu sei, se sei!!



sábado, janeiro 20, 2007

Cartões de crédito

Amigos, não façam como eu! No Natal utilizei vezes demais o meu cartão de crédito e agora, uma semana antes de receber o meu ordenadinho de Janeiro, estou reduzida a um total de dois dígitos no saldo da conta bancária!! E nem adianta tentar consolar-me dizendo que quase todo o país fez o mesmo, porque eu tenho obrigação de ter mais juízo do que quase todo o país!...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Dia da Lídia


I
Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.

II
Escuta, Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis,
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que nos tornou atentos.

III
Ausentes são os deuses mas presidem.
Nós habitamos nessa
Transparência ambígua.

Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente exacto.

O seu olhar ensina o nosso olhar:
Nossa atenção ao mundo
É o culto que pedem
(...)

Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética
DUAL
III-Homenagem a Ricardo Reis
Ed.Caminho

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Para quem recebeu visita da Fada dos Dentes!


See if you can help the Tooth Fairy
find the hidden words below. Good luck!

1. Baby

2. Fairy
3. Gap
4. Grow

5. Lose

6. Loss
7. Lost

8. Milk



9. Pillow

10. Pull

11. Sleep
12. Tooth


Pensamento da semana

Numa semana em que muito se falou de sapos, animaizinhos muito simpáticos apesar da sua aparência. Mas quem é que está a ligar só à aparência?

Nem sempre gostamos das respostas que a vida nos dá.
Às vezes, necessitamos mudar as perguntas


OS SAPOS

Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha?

Pense...

A resposta certa é: Restam três sapos.
Porque o sapo apenas decidiu pular.
Ele não o fez .

Nós não somos como o sapo, muitas vezes?

Decidimos fazer isso, fazer aquilo, mas no final acabamos não fazendo nada?
Na vida, temos que tomar muitas decisões.
Algumas fáceis; algumas difíceis.
A maior parte dos erros que cometemos não se deve a decisões erradas.
A maior parte dos erros deve-se a indecisões.
Temos que viver com as consequências das nossas decisões.
E isto é arriscar.
Tudo é arriscar.
Rir é correr o risco de parecer um tolo.
Chorar, é correr o risco de parecer sentimental.

Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor os sentimentos é arriscar expor-se a si mesmo.
Expor as suas ideias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.

Amar é correr o risco de não ser amado.

Viver é correr o risco de morrer.

Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de falhar.

Os riscos precisam de ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada.

A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada.
Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas não aprende, não sente, não muda, não cresce ou vive. Presa à sua servidão, ela é uma escrava que teme a liberdade.

Apenas quem arrisca é livre.

O pessimista, queixa-se dos ventos.
O optimista, espera que mudem.
O realista, ajusta as velas.

autor desconhecido

O teste da J@de

Está aí! Eu fiz com sinceridade e deu...isto. Vocês dirão se deu certo :)

O que me irrita?

A J@de lançou-me o desafio de listar o que mais me irrita. Ela acha que eu sou boazinha, não sei quê, não sei que mais, que nada me irrita... e ela até tem uma certa razão. Às vezes não compensa ficarmos irritados, não adianta nada, sobe-nos a tensão e não alcançamos bons resultados por essa via. Mas há situações em que, mesmo os que têm maior auto-controle, perdem a calma e ficam irritados. Procurei fazer a listinha para a J@de mas duvido que ela esteja muito completa. Vamos combinar assim: a lista fica em aberto e eu vou actualizando, de cada vez que me deparar com alguma situação irritante. Está bem assim J@de?
Aqui vai:
1. Irrita-me a valer ter de 'chupar' o fumo do vizinho do lado, sobretudo num restaurante. Não fumo e não sou fundamentalista em relação ao fumo, mas não suporto que fumem para cima de mim e me privem do meu direito de respirar uma atmosfera livre de fumo. É certo que agora já há zonas reservadas a fumadores e até restaurantes 'smoke free', que têm a minha preferência, mas ainda há dias estava com um grupo de amigas a jantar quando duas delas, ao meu lado, encheram um cinzeiro de 'beatas' e, de cada vez que se voltavam para conversar comigo, lançavam uma baforada de fumo. Isso irrita-me terrivelmente! Não disse nada para não as privar do seu direito a esse prazer (?!) que tanto prezam, mas fiquei...irritada, interiormente. (viu J@de, como sou controlada? eheh)
2. Outra coisa que me irrita, viu J@de, embora em você eu releve e até ache engraçado porque sai naturalmente e faz parte do seu estilo é ... palavrão!
Não suporto palavrão a todo o momento e em cada frase, como fazem alguns. Em casa sou capaz de dizer uma m..... de vez em quando (nem consigo escrever, viu J@dinha?) mas mais do que isso não digo nem gosto que alguém diga perto de mim. Então esses palavrões que agora são tão abundantemente usados, os Cs e os Fs, ihh, esses então não gosto nada. Fico mesmo irritada quando oiço! acho até que nunca disse nem verbalizei essas palavras. Também nunca me deixo chegar ao ponto de irritação em que seja preciso dizê-las para aliviar a tensão...
3. Fico irritada, comigo mesma, quando quero lembrar-me de alguma coisa e não consigo, por mais que me esforce. A minha memória é boa, por enquanto, mas talvez por viver rodeada de casos de falhas de memória, patológicos esses, fico fora de mim, comigo, se não consigo fazer uso dessa capacidade, num momento em que ela me faça muita falta.
4. Irrito-me com a arrogância e também com a intolerância. Em especial não suporto sentimentos racistas e causa-me uma tremenda irritação ouvir, socialmente, como já me tem acontecido, anedotas e piadas de cunho racista. Acho insuportável e não consigo, neste caso, controlar a minha irritação. Para mim, todos os seres humanos são dignos do mesmo respeito e valor. Só lhes noto diferenças nas atitudes.
5. Tenho sempre a sensação de que o tempo me foje e que preciso, urgentemente, do tempo que me está a escapar. Fico irritada, outra vez apenas comigo mesma, quando desperdiço tempo ou o utilizo mal. Também me irritam as pessoas que me fazem perder tempo com conversas ou telefonemas inúteis. Aliás, não gosto muito do telefone e fico irritada quando me obrigam a falar no irritante aparelhinho durante muito tempo.

Ihh, já cá estão cinco. Chega? Quer mais J@de? Pois espere que eu vou acrescentando à lista, como prometido.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Rosas para uma rosa

http://free-cards.be/

Esfingezinha faz hoje anos e recebeu, de certeza, rosas.
Porquê?
Ora, porque ela própria é
uma
rosa!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Uma vida na escola

foto tirada pelo meu pai, há 50 anos

Nasci numa escola.

Tudo indica que morrerei também numa escola, a manter-se a política de aumento progressivo da idade da reforma. Uma escola seja, então, a minha sepultura! Mas isto é outro assunto e daria (dará!) outro post.
Voltemos ao início. Nasci numa escola, literalmente. Os meus pais viviam no colégio onde leccionavam e eram co-proprietários, o Colégio Garcia de Orta* na Rua Sousa Martins, em Lisboa, bem perto do Liceu Camões e da Maternidade Alfredo da Costa. A circunstância, algo inusitada, de ter nascido em casa e não na maternidade, já foi referida noutro post. Adiante.

Começei a "frequentar" aulas a partir dos dois anos de idade, levada para as salas, ora pelos meus pais, ora pelos meus padrinhos de registo, ambos também professores e sócios do colégio.
Ficava, muito sossegada, a escrevinhar numa folha ou no quadro preto. Imagino que nem distraía os alunos que, nesse tempo, não ousariam distrair-se... Lembro essa fase da vida com grande nitidez.
Quando fui para a escola como aluna, matriculada na 1ª classe, sabia mais do que me tinham ensinado... Aprendera a ler, sózinha, lá pelos cantos onde me sentava com os livros, os primeiros ainda de pano, só depois os de papel, juntando as letras e as sílabas, formando depois palavras e frases, como se isso fosse tão fácil e natural como andar ou falar.

A minha primeira professora primária não teve, portanto, de me ensinar "as primeiras letras", mas guardei sempre dela uma recordação doce e grata. Ensinou-me muitas outras coisas.
A Senhora Dona Maria Amélia Dias de Deus era uma viúva ainda jovem, sempre vestida de negro, de semblante sereno e triste.
Ficara só com dois filhos, dois rapazes que eram o seu enlevo e a sua preocupação. Durante anos a minha mãe correspondeu-se com ela e foi sabendo do percurso académico, brilhante, dos dois. Um médico, outro engenheiro, professor universitário este.
Ainda gostava, um dia, de os encontrar e recordar, com eles, a sua mãe, minha primeira professora.

Ando a ficar velha e melosa, disso não resta dúvida...



*NOTÁVEL MÉDICO e biólogo quinhentista Garcia de Orta (1499-1568), filho de pais espanhóis estabelecidos em Castelo de Vide, realizou os estudos em Espanha, tendo exercido medicina em Portugal.

Verdadeiro "homem do Renascimento", foi um dos percursores do experimentalismo apoiado no primado da razão, concepção que pôs em prática durante uma vida inteira dedicada ao estudo "in loco" dos mais variados tipos de flora.

Embarcou para a Índia em 1534, segundo alguns historiadores por receio da Inquisição. Fixou-se em Goa como físico de Martim Afonso de Sousa, capitão-mor do Mar das Índias. Aí continuou a sua carreira de médico, contactando e confrontando conhecimentos com especialistas locais, árabes hindus e persas. Viajou por todo o país, estudando e coleccionando produtos naturais. Tal recolha deu-lhe material suficiente para constituir uma biblioteca, um museu e um jardim onde criava e aclimatava espécies raras de plantas.
Apesar de uma vida rica em estudos e experimentações, apenas publicou um livro. "Colóquios dos simples e drogas he cousas medicinais da Índia e assi dalguas frutas achadas nella onde se tratam alguas cousas boas pera saber" foi o comprido título da obra escrita em português e dada à estampa em Goa, no ano de 1563. Tratou-se do primeiro registo científico de plantas do Oriente feito por ocidentais. O seu extremo interesse científico levou a que passados apenas quatro anos já tivesse sido traduzido e impresso na Europa. Utilizado por cientistas das mais variadas áreas, trouxe informações fundamentais para a medicina, botânica, física, química, farmacologia e biologia.

Além de se tratar de uma autêntica enciclopédia medico-botânica, contribuiu igualmente para o conhecimento da etnologia, etnografia e até geografia do Oriente. Dada a riqueza e diversidade informativa, ainda hoje o "Colóquios" é popular entre os botânicos, que o continuam a utilizar como obra bibliográfica essencial.

Instituto Camões
M.C.L.