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quinta-feira, março 20, 2008

É o meu país!



Naíde Gomes encheu Portugal de orgulho ao saltar sete metros e vencer a prova de salto em comprimento no Campeonato do Mundo de Pista Coberta.

Um feito a todos os títulos notável, num país onde só funcionam três pistas cobertas - em Espinho, Braga e Alpiarça ( quantos são os Estádios de Futebol? não sei, vou contá-los depois...).

Uma pista, que deve ter custado um balúrdio de euros, foi montada no Pavilhão Atlântico para os campeonatos do Mundo em 2000 e agora está... sabe Deus onde, a estragar-se, enquanto os atletas treinam ao ar livre, em condições tais que só o muito brio deles e a sua extraordinária qualidade ( e a dos treinadores também) leva às vitórias que alcançam.

Sei isto de fonte segura, pelo meu genro ex-atleta. E fico a pensar no meu país...

quinta-feira, março 06, 2008

Estou optimista... por instantes...

imagem encontrada aqui

Acredito em Portugal!
Mesmo nos períodos mais cinzentos da vida colectiva deste meu belo pequeno país à beira mar plantado, nunca deixei de acreditar nele nem na capacidade das suas gentes para se saírem bem em tudo aquilo que empreendam.

Gosto de ler os suplementos dos semanários, à procura de sucessos empresariais ou índices positivos em sectores da vida económica portuguesa. Acreditem que é uma boa maneira de restaurar o optimismo e repôr a boa disposição...

Vejam esta:

"Calçado português é o único na Europa com saldo positivo. Indústria ganha terreno na UE e contribui com €800 milhões para a balança comercial".
E esta outra:
" Bluepharma acelera o passo": faz sete anos que um conjunto de investidores compraram a fábrica da Bayer em Portugal e, dessa forma, impediram que 58 pessoas fossem parar ao desemprego.Paulo Barradas (o gestor, que é farmacêutico) é o maior accionista da Bluepharma, que emprega agora 160 pessoas.A Bluepharma, que produz 26 tipos de medicamentos genéricos e é detentora de 32 autorizações de introdução no mercado, quer agora apostar na biotecnologia.No ano passado obtiveram um volume de negócios de 10,5 milhões de euros e, tendo em conta os contratos já assinados, esperam atingir vendas de 40 milhões em 2011...
Vou sorrir. Antes que me apareçam preocupantes dados sobre o desemprego ou a subida de preços de bens essenciais...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Assim vai... ou não vai, Portugal (II)

Prestem atenção a este Retrato Social:

"Há médicos e professores a pedirem-nos ajuda para dar de comer aos filhos"

Jornal Expresso - Raquel Moleiro, com Isabel Vicente, 1/12/2007

A denúncia parte de Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar. São os 'novos pobres': a classe média sobreendividada

Manuela, 33 anos, hesitou antes de escrever aquele «e-mail» para o Banco Alimentar Contra a Fome (BACF). E mesmo enquanto o redigia, não tinha ainda a certeza de, no fim, ter coragem de carregar no botão de enviar.
Ela, bacharel em Relações Internacionais, quadro de um ministério, casada com um professor de educação física ex-atleta olímpico. Ela, mãe de uma bebé com cinco meses, tinha agora de pedir ajuda para alimentar a família. O marido que ficou sem emprego, um salário de €2000 que desapareceu no mês em que festejaram a gravidez, a renda da casa que foi falhando vezes de mais, o cartão de crédito gasto até ao limite, o apartamento trocado por um quarto, e nem assim a comida chegava à mesa . "No dia em que enviei o «e-mail» faltavam três semanas para receber e só tinha €80", explica. "Havia para a bebé, mas nós íamos passar fome".

O caso tem um mês. Ana Vara, assistente social do BACF, ligou a Manuela mal leu o pedido. E disse-lhe o que tanto tem repetido ultimamente: não tenha vergonha, não é a única. "Nos últimos quatro meses, mais que duplicaram os pedidos directos ao banco alimentar. E há cada vez mais casos de classe média ", garante Isabel Jonet. A directora do BACF chama-lhes " os novos pobres": empregados, instruídos, socialmente integrados, mas, ainda assim, vítimas da pobreza e até da fome. Nos últimos três meses, chegaram ao banco alimentar de Alcântara 250 casos, 30% dos quais se enquadram nesta nova categoria. E em todos há pontos transversais: mais mulheres, muitas mães, desemprego inesperado, rupturas familiares, e sempre sobreendividamento.

(...) As famílias tradicionalmente carenciadas aparecem no banco alimentar, pedem olhos nos olhos. Os novos pobres gritam por ajuda, envergonhadamente, através do correio electrónico. Como Luciana, médica, cujo desemprego súbito do marido fez ruir a estrutura económica do lar de nove filhos. Sem ele saber, sem o magoar de vergonha, pediu apoio alimentar para uma casa onde nunca tinha faltado nada.

Assim vai... ou não vai, Portugal


Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007:

«Para um breve retrato deste nosso país singular onde cada vez mais mulheres dão à luz em ambulâncias - e assim ajudam o ministro Correia de Campos a poupanças significativas nas maternidades que ainda não foram encerradas -, basta retomar três ou quatro notícias fortes das últimas semanas. Esta, por exemplo: centenas e centenas de famílias pedem conselho à Deco porque estão afogadas em dívidas à banca. São pessoas que ainda têm vontade e esperança de cumprir os seus compromissos. Mas há milhares que já não pagam o que devem e outras que já só vivem para a prestação da casa. Com o aumento sustentado dos juros, uma crise muito séria vem aí a galope .»

«Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles . Daí que os manda-chuvas do Millenium BCP se permitam andar há meses numa guerra para ver quem manda mais, coisa que já custou ao banco a quantia obscena de 2,3 mil milhões de euros em capitalização bolsista. Ninguém se rala porque, num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo , esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos.»

«Quer dizer, as notícias fortes das últimas semanas - as da tal «silly season», em que os jornalistas estão sempre a dizer que nada acontece - são notícias de mau augúrio. Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais .»

domingo, outubro 28, 2007

Emigrantes portugueses pobres, até quando?

imagem: www.italiaoggi.com.br/.../20060621Imigrantes

Ao conduzir por terras do Campanário, concelho da Ribeira Brava,onde há muito não passava, fiquei surpreendida por ver inumeras casas, de construção recente ou recuperadas, esteticamente agradáveis, integradas na paisagem envolvente, bem diferentes do estilo 'maison', ostentatório e com materiais inadequados que proliferou em décadas anteriores.
Ao comentar com a pessoa que me acompanhava, residente naquele local, que uma dessas casas era particularmente bonita e bem dimensionada, disse-me ela que pertencia que pertencia a alguém que partira para terras de França, 'muito pobrezinha'.
Espero que a dona da casa não a tenha fechada sempre e consiga usufruir da sua residência, pelo menos nas férias e um dia mais tarde, quando conseguir deixar de trabalhar duramente em local distante.
Mas gostaria mesmo é que já não houvesse compatriotas meus a partir,'pobrezinhos'.
Teremos emigrantes portugueses a sair do país pobres, até quando?