sexta-feira, junho 30, 2006

Ai borda, rica filha, borda bem...



À NOSSA!

Vinho da Madeira - (1808/1810) Considerado um dos vinhos de maior requinte nas cortes europeias, tendo chegado mesmo a ser usado como perfume para os lenços das damas da corte. Na corte inglesa este vinho rivalizava com o vinho do Porto. Shakespeare (1564/1613) referiu-se ao vinho da Madeira como essência preciosa, na sua peça "Henrique IV". O duque de Clarence, irmão de Eduardo IV (séc. XV) deixou o seu nome ligado a este vinho quando, ao ter sido sentenciado à morte na sequência de um atentado contra o seu irmão, escolheu morrer por afogamento num tonel de Malvasia da Madeira. Mas para além da Inglaterra, também a França, a Flandres e os Estados Unidos o importavam. Francisco I (1708/1765), orgulhava-se de o possuir e considerava-o "o mais rico e delicioso de todos os vinhos da Europa".

Vamos dar-lhes o Bailinho!


Bailinho da Madeira

REFRÃO

Deixai passar
Esta nossa brincadeira
Que a gente vamos bailar
O bailinho da Madeira

A Madeira é um jardim
Embalado ao som do mar
Tem prados cheios de relva
E ribeiras a cantar

Eu venho de lá tão longe
Venho sempre à beira mar
Trago aqui estas couvinhas
P'rá amanhã o seu jantar


A Madeira é um jardim
No Mundo não há igual
Seus encantos não têm fim
É filha de Portugal


Eu venho de lá tão longe
E de correr venho cansado
Vejo aqui tanta gente
Fico um pouco envergonhado


Portugal é um jardim
Plantado à beira mar
Mas a Madeira é mais linda
É mais linda e não tem par


Minha terra é a Madeira
Ouvindo-se o som do mar
No fim de cada ladeira
Há ribeiras a cantar

Estamos a comemorar 30 anos de Autonomia



Hino da Região Autónoma da Madeira

Do vale à montanha e do mar à serra,
Teu povo humilde, estóico e valente
Entre a rocha dura te lavrou a terra,
Para lançar, do pão, a semente:

Herói do trabalho na montanha agreste,
Que se fez ao mar em vagas procelosas:
Os louros da vitória, em tuas mãos calosas
Foram a herança que a teus filhos deste.

Por esse Mundo além
Madeira teu nome continua
Em teus filhos saudosos
Que além fronteiras
De ti se mostram orgulhosos.

Por esse Mundo além,
Madeira, honraremos tua História
Na senda do trabalho
Nós lutaremos
Alcançaremos
Teu bem estar e glória.

Guia Madeira Net 1998 - 2005 © Todos os direitos reservados

letra: Ornelas Teixeira
música: João Victor Costa
Decreto Regional 12/80/M 16 de Setembro

quinta-feira, junho 29, 2006

Preciso de um chapéu!


Hoje, como não há exames nacionais e estou de folga, graças a São Pedro, vou à procura de um chapéu! A sério. Daqui a uns dias vai haver um casamento elegante, a meio do dia, logo, tal acessório é requerido. Perguntem à Bobone se não diz assim a etiqueta! Eu até uso com agrado e reconheço no dito diversas vantagens: primeira, pode esconder um pouco uma cara menos bonita, segunda, se tiver umas abas generosas, permite ver sem verem que estamos a ver. E, claro, ainda proteje, se o sol estiver inclemente. Além disso, podem não concordar, mas... é um acessório bem bonito.

Tea at Reid's


Vou usar um truque. A ver se resulta!
Se a minha amiga Malu vier ler o meu blog nestes próximos 3 dias, convido-a para tomar um chá na varanda do Reid's Palace Hotel, à la Churchill, eheh. Quero leitores interessados e assíduos, mas não vou usar o truque com todos, que o ordenado não chega...eheheh.

A culpa foi da redoma


Ao ler, na revista do DN, uma entrevista com o doutor Rui Silva, médico muito conhecido na Madeira e afamado alpinista que toda a vida trepou às montanhas com entusiasmo, lembrei-me de um episódio vivido há quase vinte e cinco anos.
Tendo já passado os trinta e mãe de duas filhas- pormenores relevantes para a história-, certo dia adoeci, com febre alta e conjuntivite. Chamado um jovem médico amigo, diagnosticou uma gripe e receitou já não sei o quê.Tomei e ...fiquei pior.O corpo encheu-se de manchas vermelhas, a febre aumentou, os olhos incharam. Chamado de novo, opinou o médico: alergia a algum medicamento! Huum... o N. duvidou. Aquele meu estado, além de muito preocupante era...intrigante. Resolveu chamar o doutor Rui Silva. Mais velho e muito experiente, ele ia descobrir a minha maleita.
Chegou ao meu quarto, escurecido porque a conjuntivite me impedia de olhar a luz e deu ordem firme: "Abram essa janela! Quero olhar bem para ela!".E olhou uns instantes, com ar muito sério. Senti um certo medo... Ele tinha fama de "duro": anos antes, ao N. , na altura fumador compulsivo, o dr Rui Silva pregou tamanho susto que, ao sair lá do consultório, nunca mais fumou. Até hoje!
Qual iria ser a sua "sentença"?
"Onde é que você viveu? Numa redoma?" perguntou, com ar de poucos amigos.
Céus, credo! Entendi logo o que ele queria dizer! Eu estava com uma doença contagiosa que deveria ter tido antes, talvez em criança, se não tivesse vivido na tal "redoma".
"Sou filha única, sr. doutor", esclareci à laia de desculpa, quase como se o informasse de uma malformação congénita. "Contactei pouco com crianças. Nem tenho primos da minha idade."
Na Madeira onde, na altura, abundavam as famílias numerosas, - ter dez ou doze filhos era comum- , iria ele compreender o drama das minhas circunstâncias adversas, a solidão da minha infância, o facto de eu ser... diferente?
Aguardei, assustada, o diagnóstico.
"Você está com SARAMPO!" disse o dr.Rui Silva, implacável, sem se rir.
Naquela altura, se ele tivesse dito "lepra", eu teria ficado menos embaraçada...

foto de Manuel Nicolau: o dr Rui Silva hoje, com 86 anos

quarta-feira, junho 28, 2006

Ela é a verdadeira Emília!


É ela! A Emília do Sítio do Picapau Amarelo. A verdadeira.
Ao entrar para a blogosfera, escolhi o nome da minha personagem favorita no reino da fantasia.

"Uma boneca de pano feita pela tia Nastácia. Era muda até que engoliu a pílula da fala inventada pelo doutor Caramujo. A partir daí, fala como uma matraca. Emília é muito independente, a tal ponto que ela mesmo se auto define como 'independência ou morte'. É também uma filósofa e acredita que 'a verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia'."

Churchill na Madeira


Sir Winston Churchill costumava passar férias na Madeira. Tinha bom gosto! Instalava-se no Hotel Reid's. Tinha bom gosto mesmo! A pintura era o seu hobby . Escolhia muitas vezes a baía de Câmara de Lobos. Hoje, num pequeno terraço daquela cidade, uma placa assinala o local onde costumava sentar-se e pintar, com o seu inseparável charuto, de casaco e chapéu. Esta fotografia é célebre.

terça-feira, junho 27, 2006

Um Lobo-marinho chamado Desertinha

Vou aqui pedir licença à bióloga Rosa Pires, autora de um artigo publicado na Revista do DN-Madeira desta semana, para dele usar uma foto e alguma informação. Tenho a certeza de que não se importará de ver divulgado o tema da sua especialidade também através desta via.

Os antepassados da Desertinha viviam numa pequena baía da costa Sul quando os portugueses chegaram à Madeira em 1419, comandados por João Gonçalves Zarco . Esse local passou, por isso, a ser conhecido por Câmara de Lobos. Numerosos e confiantes, os Lobos-marinhos eram vistos com frequência nas costas da Madeira. No entanto, sendo animais tímidos por natureza, ao sentir-se ameaçados pela redução do seu habitat natural que passou a ser ocupado pelo Homem e pelo aumento da actividade piscatória, refugiaram-se nas Ilhas Desertas (ver localização no mapa, neste blog).

A Foca-monge do Mediterrâneo ou Lobo-marinho, Monachus monachus, é uma espécie ameaçada de extinção. No mundo não existem actualmente mais do que poucas centenas destes animais.

Nas Ilhas Desertas, protegidas por legislação nacional e internacional, vive uma colónia com cerca de 23 indivíduos desta espécie rara. Verificando-se 1 a 3 nascimentos por ano, a colónia está em recuperação, graças a um projecto do Parque Natural da Madeira que monitoriza a espécie e o seu habitat in loco, bem como promove a educação ambiental.

A Desertinha foi identificada em 1993 e já foi mãe por 10 vezes e, apesar de muito ocupada nesta admirável tarefa de contribuir para a recuperação da sua espécie, encontra tempo e vontade para dar umas voltinhas pelas costas da Madeira, onde é avistada, para alegria de todos, desde 1997.

O pior é que ela apareceu ferida, há poucas semanas. Mantendo-se no mar embora com aspecto desgastado, boiava de olhos fechados para descansar. Os seus movimentos foram acompanhados durante semanas e parece já estar a recuperar, alimentando-se e parecendo estar mais activa. Resta-nos esperar que tudo corra bem para ela e volte a ser como dizem que era: aventureira e veloz ainda que esquiva, como é próprio da sua espécie.

Que as acções do Homem não interfiram negativamente com a Natureza

Pela recuperação da Desertinha
Pela defesa desta espécie bela e rara
Por uma consciência ambiental cada vez mais forte

segunda-feira, junho 26, 2006

quinta-feira, junho 22, 2006

All my eggs in one basket

Ontem à noite, os mais jovens da minha família - duas filhas, um genro e um neto, tiveram a insensata ideia de regressar de Lisboa à ilha todos no mesmo avião! Coisa arrepiante!
De véspera tive pesadelo, de manhã acordei preocupada, à tarde andei ansiosa e à noite estava quase em pânico, à medida que a hora do voo se aproximava.
Eu sei que não somos a família real nem nada mas, porque é que a minha 'carga preciosa' haveria de meter-se toda no mesmo 'contentor'?!
Quando por cá falam dos 'custos de insularidade' referem-se a aspectos financeiros, claro está, mas, para mim, estas aflições custam mais do que ter de pagar os produtos e serviços mais caros
do que noutras regiões do país.

quarta-feira, junho 21, 2006

Voos de ensaio


Hoje coube-me "vigilância" à prova nacional de Biologia. 8h45 da manhã. Chamada feita, dos 20 alunos apresentaram-se 14. Mais meninas do que rapazes, como vai sendo hábito nas áreas de científicas.
Todos pareciam estar tranquilos. Minutos antes do toque que indica o início, nacional, costumo dizer-lhes alguma coisa para ajudar a aliviar alguma tensão que possam estar a sentir. Perguntei quantos ali procuravam o acesso ao curso de Medicina. Sorriram todos timidamente e nenhum fez sinal a indicar o sim. Não?. Surpreendi-me. E Enfermagem? quis saber a seguir. Dois levantaram o braço. E os outros?. Já não perguntei. Se calhar ainda não tinham ideia bem definida...Não é fácil nos dias de hoje fazer projectos para o futuro. Há tantos caminhos que podem levar a lugar nenhum!
Abri o pacote de enunciados um minuto antes da hora, espreitei lá para dentro sem tirar de lá as provas e garanti-lhes, em ar de brincadeira: "É fácil!".Tocou logo depois. Ainda lhes disse a quebrar o silêncio enquanto distribuiamos as folhas: "Que corra bem para todos!".
Lá se entregaram muito compenetrados à tarefa. Duas horas de trabalho pela frente!
Olhei para eles aquele tempo todo e pensei sobre o que poderá vir a ser o seu amanhã, neste mundo, neste país ...
Não sei se é dos anos que já levo, de vida e de profissão, mas a verdade é que me enterneci a olhar aqueles jovens de 18 anos, eu com quase mais quarenta...Passei aquelas duas horas a desejar, com muita força, que aquele exame e a vida corressem decididamente bem para todos eles.Era tudo o que tinha para dar-lhes, naquele momento...

terça-feira, junho 20, 2006

Saída de cena


É muito triste
ver os amigos sair de cena,
no palco da vida.
É triste saber
que mesmo estando a sala cheia,
lotação esgotada,
todos nós ali,
o coração a gritar: Volta! Volta!,
mesmo que os nossos aplausos
sejam fortes e insistentes,
eles não voltarão,
para nos brindar com um encore.



Luzes


Minha luzinha entre as luzes da minha cidade



Brilha há vinte e cinco anos
Iluminando nossas vidas.
Brilha mais de noite
que de dia
minha luzinha noctívaga
pirilampo
mágico!
Às vezes apaga,
literalmente!
Puf!
Outras vezes dá curto-circuito,
por sobrecarga.
Zás-catrapás!
Mas logo volta a brilhar,
tranquila e cheia de luz.
Brilho nos olhos, brilho na voz...
O seu brilho deixa muitos
ofuscados.
A sério!
Quando ela sai de dia
o sol às vezes se esconde.
À noite é vê-la brilhar
entre as luzes da minha cidade!







segunda-feira, junho 19, 2006

Começaram os exames

Hoje, mais de 170 mil alunos começaram os seus exames, uns para concluir o ensino secundário, outros para ingresso nas Universidades. Que corra tudo bem para todos e o futuro lhes seja risonho! (isto está a ser escrito com um suspiro indicativo de pouca esperança :(
Mas se se debruçaram sobre as matérias com o mesmo entusiasmo deste colega aqui, vão conseguir! Felicidades então!

De pequenino se aprende...



a nadar!

domingo, junho 18, 2006

Humor melancólico


Nossa muito amada cocker spaniel dourada Cookie - mais vezes tratada por Cookinha, aqui num momento de melancolia e em posição típica de fêmea da sua raça.

Idade actual: 2 anos
Apetite: voraz
Temperamento: Imprevisível, meiga, ágil, curiosa
Pior defeito: excessiva dependência afectiva da família - chora como cachorro abandonado na hora em que todos saem de casa
Maior qualidade: basta olhar para ela - o olhar é irresistível

O tempo 'tá forrado!


Pois é. 'O tempo 'tá forrado'. É mês de São João, mês do sono. Para quem não conhecer a Madeira em Junho significa: Bastante nublado, Tempo sombrio.
Esta e outras expressões releio, a cada passo, num livrinho precioso, cuja folha de rosto aqui mostro.
Foi uma oferta, à data, de um querido amigo. Um ano depois passou a ser um querido pai. Na altura em que escreveu a dedicatória, nem ele, nem eu, sabiamos que a minha "passagem pela Madeira" iria ser para toda a vida...

...Birthday greetings, bottle of wine


So now you'll know what it feels like to be 64, Sir Paul McCartney!!

José Agostinho Baptista


Numa "tarde de afectos", ontem, no Funchal, José Agostinho Baptista lançou o seu décimo sexto livro de poesia. Mesmo quando ausente da Ilha onde nasceu, ela está sempre presente.

FAIAL III

Três vezes te escrevi.
Como se fosses a segunda mãe do vasto mundo por
onde me perdi,
como se fosses a irmã assombrada pelos relâmpagos
e pelas águias,
de ti parti e regressei, muito depois.

Sempre tiveste todos ps rostos,
todas as formas da terra, todos os litorais por
onde passai,
sempre...surgiste de frente,
junto à mina porta,
golpeando as suas tábuas sombrias, e,
emudecida pelo rumor da água,
abriste o teu corpo de pedra onde respirei.

Pespirei pesadamente, diga-se,
porque ouvi, ao fundo de uma ribeira,
as rodas que atravessavam o silêncio das últimas
rosas.

Eu estava ali, mas não me vias.
Falava, gritava, batia nos muros da tua escuridão,
mas nada dizias,
mater, mater dolorosa e cega...

Já me esqueceste,
eu sei.
Por isso, vinte anos mais tarde,
quando abrias as corolas do sexto mês, não me
ouviste dizer:
subi às montanhas, escrevi no céu,
mas não vi as cálidas luzes do sul,
não quebrei com elas os espelhos da minha treva.

Três vezes perguntei:
por que me esqueceste?
se estou aqui junto à igreja,
no campo santo das flores deslumbradas, onde os
teus mortos dormem,
também esquecidos de mim.

Três vezes me voltei de costas para deus e caminhei
em direcção à casa.
Alguém fechou as janelas para sempre.
Ao anoitecer, sob a meia lua dos sonhos,
ainda se ouve um lamento.
Esta casa desmorona-se.
Esta casa dói.

Fechas-te.
Voltas-te para dentro,
iluminas com invisíveis candelabros as aldeias do
homem,
mas esqueces os violinos distantes que o inverno
apagou,
mater, mater dolorosa e cega...

Existes, simplesmente.
És verde e alta e obscura,
quando visitas os quartos do medo, onde já não
dorme a criança sem voz.

Recolhes,
entre as espessas dobras do teu manto,
um segredo que condena o mundo.
Recolhes-me e logo te afastas,
como se agora um derradeiro fogo ardesse nas
minhas veias,
neste século de agonia que me roubou todas as
estrelas.

Passa, ao largo,
um barco que sobrevive às tempestades,
sobre o dorso branco e negro das tuas vagas.
São quatro ou cinco ou seis horas,
no relógio parado da mesma igreja.

Sob a devastadora música dos teus sinos,
estremece a minha rais solitária.
Então, bruscamente,
levanto-me e bato as asas, voando em círculo.
Sou um pássaro perdido.


sexta-feira, junho 16, 2006

Homenagem


Ilha do Pico
Açores

 
Ilha
Deitada és uma ilha e raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
              David Mourão-Ferreira

1º sinal do tempo - pitosguice!


Há uns anos, quando comecei a só conseguir ler esticando o braço, fui consultar um oftalmologista, jovem mas recomendado, que me disse após exame ao estado da minha visão :"Com a sua idade é de admirar como não precisou de óculos antes!"
Assim, sem apelo nem agravo, fez-me ver que estava perante um sinal inevitável da passagem do tempo: a tal "falta de vista".Era o primeiro sinal!
Desde então os óculos passaram a ser um objecto omnipresente: sem eles o mundo à volta fica desfocado e turvo, sem eles não leio, não escrevo, não como, não faço compras...
No entanto, não me posso queixar, porque ainda não padeço de mais faltas, pelo menos até que um médico me diga, diplomata como o outro:"Com a sua idade, é de admirar como não ficou patareca antes!". Quando esse momento chegar, espero que já tenham inventado uns óculos ...para a mente!

quarta-feira, junho 14, 2006

Ummmmm!


foto: minha

Que delícia! Tomar um cappuccino ao lado de um balcão cheio de chocolates belgas, um no pires da nossa chávena, caixinhas de chocolates para levar para casa ou oferecer aos amigos, arte exposta nas paredes, o verde do Jardim Municipal ali tão perto...
Na Chocolarte. Ummmmm!

Dois terços que valem pelo todo

foto: minha
Machico, 14 Junho 2006


Conheci o Sr. Celestino Gouveia no ano passado, quando visitava o Centro Intergeracional da Santa Casa da Misericórdia de Machico. Vi-o ocupadissimo a completar uma maquete do edifício, com iluminação. Disse-me o Terapeuta Ocupacional que ele era dos mais activos e, quando não podia fazer alguma das tarefas em que se envolvia, orientava os que estavam ao pé de si, de modo que a obra ficava sempre feita e bem feita.
O Sr. Celestino não tem pernas nem mãos.
Este ano foi convidado a integrar o elenco de bailarinos do grupo Dançando com a Diferença que constitui o primeiro grupo de Dança Inclusiva em Portugal, orientado por Henrique Amoedo.
Subiu ao palco com a sua cadeira motorizada e deu expressão à coreografia " 1 Apaixonado" de Henrique Rodovalho, director artístico da "Quasar Companhia de Dança" de Goiânia, Brasil. Pela proximidade do Mundial, tinha sido sugerido o tema do desporto mas, na coreografia, o espectador vê desenrolar-se dentro das quatro linhas as fintas da sua própria vida.
Não posso prever o resultado do Mundial, mas aqui entre nós, no jogo da vida, o Sr. Celestino já ganhou!

( alguns destes dados colhidos em "Rugas", publicação mensal)

SOU PROFESSOR, COM MUITO ORGULHO!!!!

terça-feira, junho 13, 2006

Parabéns ao Poeta!

copyright: Almada Negreiros


Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Santo António sem Menino


A propósito desta data, contou-nos a nossa Mãe A. esta história relacionada com uma imagem muito antiga de Santo António que tem lá em casa. Um dia o Menino desapareceu! Segundo a tradição popular, moça que quisesse achar bom marido ( o que já nos tempos antigos não era tarefa fácil ), devia roubar o Menino a uma imagem do Santo e devolvê-la quando o seu desejo fosse atendido... Há poucos anos, durante a tradicional "visita do Espírito Santo" lá a casa, o Pároco da freguesia reparou na imagem e inquiriu sobre a falta do Menino. Respondeu a Mãe A. : "Olhe, Sr. Padre, foi alguma moça casadoira que o levou mas, pelos vistos não casou, porque nunca mais o devolveu. O Sr. Padre, que anda por tanto lado, se encontrar algum Menino sem Santo António, repare bem e veja se não será o nosso".

segunda-feira, junho 12, 2006

Transplante e novas raízes



Há tempos assisti, da minha janela, ao transplante de uma enorme palmeira centenária, que foi mudada para uma nova morada, uns metros mais acima devido ao alargamento da rua. Pela sua envergadura exigiu um grande aparato - máquinas, rua fechada, muita gente a trabalhar, engenheiros a orientar, polícia a controlar.
Fiz reportagem fotográfica e, ao arquivar no computador, veio-me à ideia... o meu próprio "transplante" cá para a Madeira, há quase trinta e três anos! Encontrei semelhanças curiosas: com igual cuidado também me aconchegaram as raízes para que não estranhasse, cortaram as folhas secas para não causarem excesso de peso; criei novas raízes e adaptei-me ao local, dei frutos e passei a fazer parte da nova paisagem...
Lembrei os primeiros "aconchegos": da Senhora Dra Helena Pita da Silva, no Liceu, a falar-me das filhas da minha idade e a convidar-me para ir a um convívio a sua casa conhecer um grupo grande de colegas de profissão, para "enturmar"..., da Dra Margarida Morna, que arranjou maneira de ajudar a mobilar o meu apartamento quase vazio frente ao Liceu, para eu ter um "lar"... a Lídia e os Pais, depois tornados também meus, que me deram a conhecer a Madeira de lés a lés e o Porto Santo, para eu não me sentir em terra desconhecida...
É por tudo isso que oiço muitas vezes as pessoas dizer-me: "Já é da Madeira!" . Não, Amigos, não sou planta endémica desta região, sou um "transplante", nasci noutro local distante daqui e do qual gosto muito, mas lá que fui bem aconchegada e as novas raízes são firmes , isso é verdade!

Cowparade - Madeira Ilha de Sonhos

E não é que a vaquinha madeirense está em segundo lugar!

domingo, junho 11, 2006

O "nosso" Ronaldo está no Mundial!

Anda lá, rapaz!

Céu iluminado


Festival do Atlântico
Concorrente: Republica Checa
foto: DN-Madeira

Não é só no fim do ano. O céu do Funchal ilumina-se também em Junho. Com música. Lindo!

sábado, junho 10, 2006

Coerência


PRÉMIO CAMÕES
Luandino Vieira recusa galardão

O escritor angolano Luandino Vieira, Prémio Camões 2006, recusou aceitar o galardão, no valor de cem mil euros, invocando «razões pessoais».

" Atingindo o pináculo da fama com nem sequer uma escassa dúzia de títulos, Luandino (...) sentiu que a sua escrita simultaneamente lhe trouxera a notoriedade e lhe retirara o gosto dela.É próprio das grandes almas poderem agarrar e não agarrarem. Poderem fruir e não fruirem. Enquanto alguns bebem até às fezes a taça da glória - e nada lhes satisfaz nunca o apetite -, há outros, batidos em metal diferente, que desertam o próprio terreno em que lhes oferecem as buzinas do triunfo. (...) Explorador e acrescentador da língua, atraente contador de histórias e solidário cidadão sem ênfase nem retórica,(...) Luandino renovou com desenvoltura a literatura de língua portuguesa e, depois de alguns anos de regressado a Angola, optou por um "imenso retiro" lá para o norte de Portugal.(...) José Luandino Vieira continua a não estimar a gló-glória e prefere decididamente o silêncio, no vero momento em que lhe conferem o mais alto e ruidoso galardão literário que o levará por certo a ir esconder-se no mais fundo fundo da sua toca onde o não-ruído lhe soa bem."

in Eugénio Lisboa, Um retiro exemplar
JL, nº 930, p.4

sexta-feira, junho 09, 2006

Four-footed friends


Christina, na Madeira, a caminho de uma nova vida
foto:minha


Animals are such agreeable friends - they ask no questions, they pass no criticisms.
George Eliot

Amizade entre diferentes


Cá em casa, um monte de gatos partilha espaço e afectos com um cão!
As diferenças não são obstáculo à amizade.
Na amizade as diferenças podem ser respeitadas e até usufruídas.

quinta-feira, junho 08, 2006

60 anos. Idosa ? Não! Mas, Senhora Ministra...


Escadaria, Zona Velha, Funchal
Foto: minha

Notícia no DN-Madeira:

"Idosa sofre queda em escadarias - Uma idosa teve de receber assistência médica no HCF, na sequência de uma queda sofrida ontem numas escadas junto a um banco, na rua ... em ..... Em virtude da queda, a vítima, de 60 anos, sofreu um corte no couro cabeludo e algumas escoriações pelo corpo. A sexagenária foi assistida no local pela corporação de ..... que a transportou ao hospital....". Já foram publicadas notícias destas e utilizando estes "epítetos", vezes sem conta. Por isso, amigas minhas, ao completar 60 anos, costumam dizer, meio a rir, meio a sério, "a partir de agora já sei que, se for atropelada, vou ser referida como "idosa" na notícia."

Senhora Ministra da Educação: A Senhora, que é tão cheia de certezas e iluminada, diga a estes jornalistas que nós agora, as próximas "sexagenárias ou idosas de 60 anos " só nos iremos reformar lá para os 65, ou até só aos 70 como a Senhora deseja para si própria, e que parem, por isso, de nos atribuir tais classificações desprimorosas. A Senhora gostaria de, sendo atropelada aos 60 anos, ainda por cima ser tratada por "idosa" ? Claro que não!

A verdade é esta: as minhas amigas que já estão para lá da fasquia dos 60, aposentadas antes da moderna era socrática, não pararam em nada: estão cheias de vigor e iniciativa, fazem voluntariado em associações de solidariedade social, continuam a dinamizar actividades no seu local de trabalho anterior, estão envolvidas nas suas paróquias, preparam refeições, passeios, actividades lúdicas e culturais para dúzias de pessoas, familiares ou não, voltaram às línguas estrangeiras, info-incluiram-se, fazem ginástica, andam horas a pé, lêem que se fartam, viajam por esse mundo fora, inscreveram-se em variados hobbies para os quais antes não tinham tempo...
Mas, Senhora Ministra da Educação, nenhuma delas está triste por ter passado à aposentação. Acham que deram o seu contributo à nobre missão durante tempo suficiente e agora querem finalmente poder gerir o seu tempo e seguir a sua vontade ( a delas, claro!). Porque é que a Senhora não me vai deixar, daqui a três anos, fazer o mesmo, é para mim um mistério...

quarta-feira, junho 07, 2006

Barata madeirense


Na Madeira a Natureza é exuberante e generosa, o Criador seja louvado por isso. Mas precisava de ter baratas tão grandes, meu Deus?! Para quem, como eu, só conhecia as pequenas baratas lisboetas, a barata madeirense (sim, ela existe mesmo cientificamente, com designação de origem, como pude um dia comprovar numa edição do National Geographic) parecia um gigante pre-histórico, assustador e impossível de enfrentar.
Perante a minha total incapacidade para controlar o medo inicial , o N. foi promovido à categoria de exterminador-mor, chamado ao combate cada vez que um daqueles insectos castanhos e muitas vezes alados se interpunha no meu caminho. Nasceu a Catarina e eu...mãe inexperiente e pouco informada, transmiti-lhe o medo das baratas. Passámos a ser duas vozes a gritar pelo pai-salvador-exterminador-de-baratas!
Quando ela tinha quatro anos, o pai teve de ir para Lisboa estudar. Altos Estudos. Lá se foi o nosso exterminador! "E agora, mãe? Como é que vamos fazer com as baratas?". Só aí me dei conta do estrago que o meu medo tinha feito. Ainda estaria a tempo de o remediar? Enchi-me de coragem! "Olha, nós as duas vamos resolver isso: uma pega no sapato e a outra vai buscar a vassoura! E enfrentamos as baratas todas que aparecerem!" A partir desse dia nunca mais tive medo de baratas! Acho que venci o medo para poder ajudar a minha filha a vencer o dela. Mas...há asneiras que uma mãe faz que não se conseguem remediar mais tarde... Aos 25 anos, detentora de diploma superior , determinada, independente e casadoira, ela ainda acordava de noite a dizer: "Pai! Está uma barata no cortinado do meu quarto!" . E o pai lá ia tratar da saúde da barata...
Agora que ela é mãe, informada e muito sabedora de psicologias, sempre quero ver se vai , como eu, enfrentar as baratas para o Martim não ficar com medo delas...


domingo, junho 04, 2006

GRANDE ESCALA

Alexander Calder
Sem Título
1968


Quando a escala é grande os horizontes têm de ser largos...
Quando a escala é grande o pensamento não pode ser pequeno...
Quando a escala é grande há qualquer coisa que se altera no nosso olhar...

Catálogo da Exposição Grande Escala
Pintura e Escultura na Colecção Berardo
Centro das Artes Casa das Mudas
Calheta - Madeira


sábado, junho 03, 2006

Meus Pais com o Tin Tin


Não sei a data precisa desta foto , talvez poucos anos antes de 1977, altura em que se mudaram para a Madeira. Mas o que interessa é que estavam felizes, juntos como em todos os dias da vida, e o "complemento" do Tin Tin até ficou bem...

sexta-feira, junho 02, 2006

A nossa Rita




Esta é a "nossa" Rita e minha afilhada do coração! Filha de uma querida amiga de infância, nasceu destinada a enriquecer a nossa vida. Terminado, com muito sucesso, um curso de Filosofia que lhe correspondeu melhor aos anseios do que a experiência passageira pelo Direito do Pai e do Avô materno, ei-la determinada, antes de se abalançar ao Mestrado, a fazer três meses de voluntariado no Rio de Janeiro ! Não em Copacabana, claro! Onde? Numa favela!!! A ensinar meninos! Apanhei um susto dos grandes! Demorei um tempo mas, como sempre me acontece em relação às ideias algo extraordinárias das minhas próprias filhas, acabei por compreender que foi uma boa opção. Uma experiência do tamanho daquele mundão, desconhecido e inseguro! E quando ela mandou de lá estas palavras que aqui mostro, e as suas fotos com os "seus" meninos, cheias de ternura, tive a certeza que, ao fazer tanta diferença na vida deles, só podia estar certa! Estão quase a chegar ao fim os três meses. Já a vejo a chorar na despedida, agarrada aqueles miúdos lindos que vai para sempre guardar no coração. Só espero poder em breve dar-lhe o abraço grande que ela merece, e agradecer por ela ser como é.


Rita, Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2006

“Minha Vida!!!
Porque o melhor dos mundos é o mundo dos afectos. Porque o verdadeiro milagre de Deus é simples: quanto mais partilhamos mais temos. A simplicidade de um sorriso vence dores e silêncios magoados. Quanto mais damos mais recebemos, compreendo agora que aqui não ensino, aprendo. Aprendemos na simplicidade, na generosidade, na luz de quem acredita que a
alegria é possível... mesmo nos rostos mais fechados de crianças que sabem que sonhar é provavelmente só para os outros. Crianças feridas não só por fora, mas por dentro. Morro e vivo aqui todos os dias, cada dia, num tempo que se multiplica infinitamente. Sou daqui. Sou feliz aqui... mesmo quando vejo queimaduras nas mãos da minha Ingrid ou buracos fundos de pregos nas pernas da minha Hevi, sou feliz de lágrimas nos olhos, acreditando que cada dia posso fazer nascer um sorriso novo, de esperança, de quem acredita que a alma sempre pode ser descoberta numa espécie de milagre... Deus é ainda mais evidente quando precisam de nós. Um abraço apertado,
Vossa Rita!”


leitura e leitores

Pela sua importância e porque com elas concordo, reproduzo aqui as opiniões de Saramago sobre o "Plano Nacional de Leitura". Encontrei-as hoje na edição do DN da Madeira. Para uma boa reflexão sobre o assunto, de interesse nacional.

Saramago questiona estímulo à leitura

O prémio Nobel da Literatura José Saramago questionou quarta-feira a utilidade de o Estado dar «estímulos» à leitura, afirmando que «voluntarismos» não valem a pena numa área que «sempre foi e será coisa de uma minoria».

Num debate na Biblioteca Municipal de Oeiras, Saramago afirmou não saber «o que vai ser» o Plano Nacional de Leitura arquitectado pelo governo, referindo apenas que «há dinheiro para gastar», mas resta «esperar para ver que resultados vai ter».

«Não vale a pena o voluntarismo, é inútil, ler sempre foi e sempre será coisa de uma minoria. Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura», afirmou, caracterizando o facto de pertencer à comissão de honra do plano como «uma fatalidade, como as bexigas», decorrente do seu estatuto como vencedor do prémio Nobel.

«O estímulo à leitura é uma coisa estranha, não deveria ter que haver outro estímulo além da necessidade de um instrumento que permita conhecer», opinou.

«Mal vão as coisas quando é preciso estimular», defendeu, contrapondo que «ninguém precisa de estímulos para se entusiasmar com o futebol», que tem por trás uma «operação de propaganda fabulosa».

O escritor afirmou que actualmente se vive «uma situação confusa», em que se confunde a «instrução», ligada ao conhecimento, com a «educação», ligada aos valores.

«Onde está a educação na escola em que os professores são agredidos, humilhados, desprezados», questionou, argumentando que os docentes «são os heróis do nosso tempo».

Saramago ressalvou que há «professores incompetentes», que trabalham «sem vocação», e que hábitos como «ler em voz alta» nas aulas deveriam ser encorajados.

O Nobel da literatura criticou os argumentos segundo os quais a correcção na ortografia não é importante, lembrando que «qualquer operário sabe que tem que ter as suas ferramentas limpas e em condições de serem usadas» e que «a língua é a ferramenta por excelência».


quinta-feira, junho 01, 2006

Dia da Criança


Chegada das aulas a esta hora tardia (23:50!), não posso acabar este dia sem deixar aqui uma saudação a todas as crianças do mundo, lindas todas elas!
Com o sorriso da mais linda , que ilumina as nossas vidas!
Beijinhos, muitos, muitos, ao Martim e a todos os outros milhões de meninas e meninos, por esse Mundo fora!

segunda-feira, maio 22, 2006

Uma morte tranquila


Na página 6 do indispensável JL encontrei, com gosto, um destaque a Glicínia Quartin sob o título Uma vida independente. E dei comigo a pensar na imensa felicidade das suas circunstâncias: uma morte tranquila depois de uma vida independente.
Dias antes tinha visto a maravilhosa entrevista, ou melhor, o maravilhoso documentário que com ela fez Jorge Silva Melo, fundador da Cornucópia com Luis Miguel Cintra, seus dois "filhos dilectos".
E notei como ela estava à vontade diante dele e da câmara, numa intimidade conseguida por uma profunda amizade . E deixou-nos revisitar a sua carreira, no teatro e no cinema, depois da outra , a de bióloga. E as perguntas nem se ouviam, o entrevistador nem aparecia. Era ela ali, em destaque absoluto! Se todos os profissionais da comunicação soubessem ser e não estar como o Jorge Silva Melo! Mas ele é um talento tão grande - desde o Grupo de Teatro da "nossa" Faculdade de Letras , que só ele mesmo!
E recordei os anos agitados entre 68 e 71, lembrei o dia em que ele foi gravemente ferido pela polícia de choque. Revi os acontecimentos desse dia, os protagonistas, a agonia, a revolta estudantil, o nosso saudoso Professor Lindley Cintra - "O Captain! my Captain!"...
Aquilo que somos foi aquilo que ficámos a ser, desde então.
Um dia a morte possa vir também, para nós, tranquila, depois duma vida independente.

quarta-feira, maio 17, 2006

Ser tia é ...


Ser tia é ficar feliz com a chegada, achar que o mundo mudou para sempre e para melhor. É brincar no chão como se voltasse a ser criança, rir e gostar como se a vida fosse só ali. É mudar os planos para atender, alterar tudo para acompanhar. É ficar em dezenas de fotos, para recordar mais tarde e mostrar que tia esteve ali, em tantos, tantos momentos. É saber de cor cada tentativa de palavra, ver nascer cada dentinho, dar beijinho no dói-dói, deitar juntinho no sofá, ver dez vezes o filme predilecto. Voar 600 milhas de céu, ida e volta, e achar que não há nada mais importante do que estar presente. Ser tia é ver cada graçinha como um espectáculo, é dizer com convicção que não há outro tão bonito como o seu, é pôr a mãe dele como a primeira mãe da lista. Ir buscar à escola para escolhê-lo de entre todos os outros e trazê-lo contente para casa. É mostrar-lhe coisas novas para o deslumbrar.
É, enfim, ter a certeza que, venham outros, ele será sempre o primeiro. Superlativo. Absoluto. Simplesmente.


Um amigo é...

Um amigo é 'alguém que nos ampara, nos aprova, por vezes nos combate; alguém que partilha connosco, com igual fervor, as alegrias da arte e da vida, os seus trabalhos jamais aborrecidos e jamais fáceis; alguém que não é a nossa sombra, nem o nosso reflexo, nem mesmo o nosso complemento, mas ela própria; alguém que nos deixa livres e, contudo, nos obriga a ser plenamente o que somos'.

Marguerite Yourcenar
em 'Apontamentos sobre Memórias de Adriano'

Entregue pela Mª do Carmo Araújo quando, em 2004, iniciou outra etapa da vida. Ela tem sido o que Yourcenar tão bem define. Posso sempre contar com ela e sei que acreditará sempre mais em mim do que eu própria.

Mãe...há só uma?


Muitos têm uma segunda Mãe, por circunstâncias várias da vida. Eu tenho uma e, agora que me falta a outra, a primeira, é optimo saber que a tenho. Tenho-a agora e tive sempre, desde que vim ao mundo. Sempre que precisei dela...ela esteve! Tenho sorte porque ela acaba de completar 90 anos e consigo ter razões e esperança de continuar a tê-la até, pelo menos, ao centenário! É linda e meiga e ouve-me com atenção. Fica feliz quando estou e sabe pressentir algum problema, por amor e intuição . Não teve filhos e eu sou, a primeira e a mais próxima, do coração.

quarta-feira, maio 03, 2006

A minha Professora de Inglês

Não foi ela a única. Mas é única!

Eu tinha 13 anos, ela apenas mais outros tantos. Era uma jovem professora e estava quase a tornar-se uma jovem mãe. Chegou ao Colégio e agradou logo - competente, assídua, muito interessada pelos seus alunos; alta, magrinha, feminina, com uma voz muito doce que cativava pelo tom e pelas palavras.
A Doutora Maria Fernanda Henriques Fialho de Lima Martins ainda hoje é assim e já passaram mais de 40 anos. Telefono-lhe para ouvir a doçura da sua voz, para sentir as suas palavras cheias de afecto e carinho. Reencontrámo-nos a certa altura do percurso das nossas vidas e, desde então, temos estado juntas de muitas formas: na sua casa ou na minha, através de cartas, telefones, fotografias e...pela internet. Demos passeios por sítios lindos.Os meus pais tinham por ela enorme afecto e julgo até que, no ano em que esteve a trabalhar com eles (eram Directores do Colégio) a minha mãe achou que era um pouco também mãe dela, acarinhando-a e preocupando-se com o seu bem estar como se de uma filha se tratasse. E ela retribuiu sempre esse afecto.

Há dias fez anos e escreveu-me pedindo que rezasse por ela pois ainda se sente, no limiar de nova década, "com interesse por muitas coisas".

Minha querida Professora: é claro que rezarei, mas do seu interesse pelas coisas
e da sua capacidade para fazer diferença entre os que a rodeiam, não tenho a mais pequena dúvida. E, por favor, continue a estar presente, porque a minha vida sem a sua presença seria muito menos interessante!

domingo, abril 30, 2006

O Funchal está inundado


O Funchal está inundado... mas de flores!
Jacarandás em flor, tapando as ruas de roxo, tapete florido na Placa Central da Avenida Arriaga! Muro da Esperança na Praça do Município!(amanhã começa tudo a secar e é triste...) Exposição no Largo da Restauração! (isto já está a parecer um anúncio da Delegação de Turismo feito com muito amor pelo Secretário Regional, que ontem passeava a sua gravata laranja shocking!). Fica aqui um pequeno registo. Para quem não está cá poder disfrutar.